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terça-feira, 30 de novembro de 2010

A crucifixão de Jesus segundo frei Tomé de Jesus

Elevação da Cruz
de Decostre-Duclercq

Os Trabalhos de Jesus de frei Tomé de Jesus (1529-1582) constituem um dos  pontos mais altos da literatura  mística de língua portuguesa, juntamente com as obras do padre Manuel Bernardes. Traduzidos em várias línguas, foram leitura habitual nos conventos de toda a Europa até o século XIX.

Tendo acompanhado a Dom Sebastião em sua campanha africana, frei Tomé foi capturado na batalha de Alcácer Quibir e feito prisioneiro. Mística batalha, em que participaram dois dos maiores escritores místicos da península ibérica, frei Tomás e o grande poeta e general espanhol Francisco de Aldana, que lá deixaria este baixo mundo!

Foi justamente na prisão africana que frei Tomás redigiu a sua obra-prima, sem recurso a livros de nenhuma espécie. Foi lá também que ele viria a falecer.

Um dos maiores absurdos da absurda história da editoração católica no Brasil é que esta obra não tenha sido jamais publicada no Brasil. Mas, como se sabe, as editoras brasileiras, católicas e não-católicas,  não primam pelo brilho.

Aqui vai um pequeno trecho da obra:

Pregado o Senhor na Cruz, estava já feita no chão uma cova bastante para a ter, acunhada e direita; e não se podia já bulir com a Cruz, tendo em si o senhor pregado, que lhe não custasse imensas dores; mas como tudo era feito por quem não desejava outra cousa que dar-lhas muito grandes, faziam-lhe tudo com desumaníssima crueldade. Assim arrojaram a Cruz pelo chão (por lhe não faltar o tormento de ser arrastado) até lhe porem o pé pegado com a cova que estava feita. Logo a começaram a levantar pelos braços até ser em altura que pudessem outros tirar por diante por cordas que neles tinham atadas, e ora viraria para uma parte ou para outra, para mais tormento do Senhor. E quando caiu de pancada na cova, e depois ao apertar do pé e acunhar, que se fazia à força de pancadas, para assegurar a Cruz que não pendesse a nenhuma parte, dava ao Senhor tão incomportável trabalho, que como falta experiência dele, faltam também palavras para o declarar. Mas vemos que as maiores dores, e mais insofríveis, que o corpo passa, é se sai fora de seu lugar um osso e desminte uma junta. E sendo o Senhor alevantado na Cruz, que seu corpo sacratíssimo ficou em vão sobre os cravos, todas as junturas do corpo começaram a estalar e apartar-se uns ossos dos outros tão conhecidamente, que com verdade (como estava por David profetizado) todos seus ossos de seu corpo se podiam contar; e assim em tudo geralmente padecia (como mais largamente diremos adiante). Padecendo o Senhor estes tormentos, seus inimigos, que tanto desejaram vê-lo crucificado, em lugar de compaixão, estavam contentes festejando a vitória. A grita do povo ao levantar da Cruz enchia tudo de brados. Ali ficou o Filho de Deus com os pés alevantados da terra, mas não tão altos que lhe não pudessem chegar; e com o corpo direito ao Céu, mas com os olhos na terra; e os braços estendidos, que não se podiam ajuntar. Porque assim quis naquela postura estar, que a terra e terrenos amores não tivessem nela parte, e os amadores de sua Cruz lhe chegassem; e todos os que o buscassem crucificado o achassem abertos para os receber, como os olhos claros para os agasalhar, e com amor aceso para os encher de bens. Tudo leva a si, como Ele prometeu. O céu roubando-o para os pecadores, a Deus reconciliando-o com eles, aos justos inflamando-os em seu amor, aos pecadores convidando-os a penitência e a misericórdia, e satisfazendo-se por eles.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Oração a Deus Eterno

A Cruz de Cristo:
a eternidade pregada ao tempo

Eu vos adoro, Deus imortal, instalado no Trono de vossa eternidade gloriosa; sois o princípio, a medida, o fim de tudo; sois anterior e posterior a tudo; destes o ser e a vida a todos os seres, éreis antes deles, existireis depois deles. Do alto desse Trono eterno vedes correr sob vossos pés o rio das coisas humanas, e as revoluções imensas dos dias, dos anos e dos séculos que, como impetuosa torrente, se dirigem para essa eternidade imutável e para sempre subsistente, e nela se perdem.

Deus grande! Lembrai-me sempre dessa eternidade; fazei que ela esteja sempre presente aos meus olhos, sempre gravada em meu coração; que salutares efeitos não produzirá ela? À luz dessa chama celeste, conhecerei o nada das coisas humanas, desapegar-me-ei dos bens deste mundo, suspirarei pelos bens supremos, os únicos verdadeiros; o pensamento vívido dessa eternidade será tudo para mim, animará meu cansaço, dominará meu orgulho, sufocará meus ressentimentos, reprimirá todas as paixões do meu coração, acalmará todas as vagas deste mar agitado. Nas dúvidas, ela será minha força; nas tentações, será meu amparo, meu porto seguro nos perigos, meu sólido consolo nas dores; será a alma de todos os meus atos e a regra de toda a minha vida.

Amém.

(R.P. Barthélémy Baudrand SJ (1701-1781), traduit par Yours Truly)

sábado, 27 de novembro de 2010

O desespero do poder público no Rio de Janeiro

Grande chefe do tráfico internacional
Foto O Globo
Querer acabar com o tráfico de drogas matando esse pessoalzinho dos morros é o mesmo que querer destruir a indústria do petróleo matando os frentistas dos postos. O tráfico é uma indústria mundial,  trilionária, sofisticadíssima, mas querem empurrar para o público ignaro que os seus chefes são esses pobres rapazes de bermuda, havaianas e camiseta que vemos nas fotos da reportagem policial. É uma piada.

Os verdadeiros chefes da droga são obviamente gente da mais alta sofisticação, com livre trânsito no plano internacional, intelectualmente capaz de bolar e administrar toda essa rede infinitamente complexa de produção, propaganda e distribuição de entorpecentes, isto tudo sem usar os canais normais do comércio e da indústria, dada a ilegalidade do que fazem, o que multiplica essa complexidade ainda mais. Só gente da mais fina das elites é capaz disso. Mas esses, é claro, não são nem um pouco incomodados por esta operação carnavalesca que se desenvolve agora em terras cariocas.

E o governo do Rio de Janeiro ainda tem a cara de pau de dizer que essa balbúrdia toda é sinal de desespero do tráfico, que se sentiria acuado pela polícia. Outra piada. Essa operação toda, que teve de ir buscar ajuda nos tropas de elite da Marinha e do Exército para dar conta dos mais comezinhos problemas de segurança pública nos morros, mostra o desespero, isso sim, dos governos estadual e federal, que prometeram mundos e fundos para conseguirem as Olimpíadas e a Copa no Rio, e não podem cumprir, a não ser que mais uma vez façam um acordo por baixo do pano com o crime organizado.

Esta é mais uma demonstração de que a mentira é o ambiente natural em que se move o poder no Brasil. E no mundo, soit dit en passant.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Bento XVI e os preservativos



Não é de admirar a atual repercussão sobre as palavras do papa Bento XVI acerca do uso de preservativos. Por um lado, como sempre, existe a mídia mundial, de índole notoriamente satânica, sempre empenhada em deturpar ao máximo as palavras do Sumo Pontífice. Por outro, pseudotradicionalistas sempre loucos para ver nas palavras do Papa - a quem tradicionalmente os católicos devem obediência, por definição - algum desvio da doutrina tradicional. E ainda os tristes "progressistas", que veem um "avanço" na suposta liberalização do discurso papal acerca das camisinhas.

Sem querer entrar no mérito da questão acerca da possibilidade de um discurso propriamente tradicional acerca de um assunto como este, parece-me que o que o Papa falou não sai dos limites do mais "bem repartido" dos bons sensos, como diria o velho Renato dos Mapas, ou não diria, se visse o mau senso descabelado que tem prevalecido em nossos tristes tempos..

No uso da camisinha nas relações sexuais pecaminosas que caracterizam o dia-a-dia do homem moderno misturam-se dois atos: 1) o ato intrinsecamente mau da fornicação por mero cabritismo; 2) o ato de proteger  o parceiro ou a parceira de um contágio possivelmente mortal. Estes dois atos são logicamente independentes, embora se misturem numa mesma ação, a relação sexual propriamente dita. Ora, o uso da camisinha faz parte do primeiro ato, intrinsecamente mau, e do segundo, de proteção, que é obviamente bom. Ou será que existe algum ensinamento tradicional na Igreja que diga que procurar preservar a saúde de alguém seja algo mau? Dado isso, o que resta a fazer é a mera combinatória dessa situação complexa.

Se o ato mau da fornicação for cometido, é mal menor que se use a proteção para evitar a transmissão da doença. O que é tão óbvio que dá até vergonha de enunciar. E evidentemente só pode ser delírio dizer que isto se oponha à doutrina católica tradicional.

Não é difícil encontrar exemplos de situações semelhantes. Digamos que um homem queira matar outro homem que esteja num restaurante lotado. Ele pode escolher entre tentar acertá-lo com um tiro de revólver ou com um tiro de canhão. Evidentemente a escolha do revólver é, por um lado, um mau, já que é instrumento de crime, mas por outro é um bem ou mal menor, se comparado com o tiro de canhão que mataria o restaurante inteiro. O uso da camisinha é um mal, por um lado, mas é um mal menor do que fornicar sem proteção nenhuma. Senso comum no seu sentido mais comum mesmo.

É evidente que se o assassino tivesse o costume de matar com canhão e passasse a matar com revólver, estaria dando um passo na direção da moralização. OBVIAMENTE. Ou não? Ou tanto faz moralmente fornicar e matar, por um lado, e fornicar sem matar, por outro??

Aos que acusam o papa, perguntaria: o fato de um portador do vírus da AIDS usar ou não usar preservativo nos seus atos sexuais é moralmente irrelevante? Se for, isto quer dizer que existem assassinatos moralmente irrelevantes. Se não for, o Papa está certo. Pronto. Façam suas escolhas.


Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mostrar a outra face


Reina certa confusão quanto ao conselho evangélico de dar a outra face a quem nos esbofeteia. Devemos oferecer a nossa outra face a quem nos ataca, mas não podemos oferecer a outra face de outrem quando este  é atacado.

Se a Igreja é atacada, não podemos mostrar a outra face dela, é claro.

Isso se chama covardia e traição.

O Padre Manuel Bernardes e o tombo de Tales de Mileto

Mileto, Turquia

Lá se conta que um filósofo, levantando os olhos e pensamentos ao Céu, ocupado na contemplação de sua grandeza e formosura, tropeçou e caiu numa cova e uma mulher zombou dele dizendo que era bem empregado que medisse a terra com o corpo quem media o Céu com os olhos. Porém, cá é muito pelo contrário: quem não leva os olhos no Céu, esse é o que tropeça, esse o que cai; tropeça nas ocasiões da terra, cai na cova do Inferno. Para não cair o corpo, os olhos hão de acompanhar os passos e os passos se hão de segurar na terra; mas para não cair a alma, os passos hão de acompanhar os olhos e os olhos se hão de segurar no Céu; se os olhos forem postos na salvação em Deus, Deus governará os passos que não tropecem: Oculi mei semper ad Dominum, quoniam ipse evellet de laqueo pedes meos (Ps 14,15).

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

João Cassiano e a oração solitária


Tal deve ser a meta do solitário: merecer já nesta vida uma imagem da futura beatitude e como um antegosto da vida e da glória do céu.

Tal é o termo de toda a perfeição.

Livre-se a alma do peso da carne, suba a cada dia às sublimes realidades espirituais, até que toda a vida, todo o movimento do coração se tornem uma só prece, única e ininterrupta.

(São João Cassiano)

domingo, 21 de novembro de 2010

Castidade: Da necessidade da mortificação segundo o padre Alonso Rodriguez SJ


A atual onda de escândalos sobre pedofilia no clero, embora obviamente exagerada e orquestrada pelos inimigos de Deus e da Igreja, manipuladores natos da opinião pública - crucifica-o, crucifica-o -, revela, porém, uma situação mais do que preocupante. Como demonstra E. Michael Jones em artigo que vimos aos poucos publicando neste blog - ver aqui a primeira parte, e aqui a segunda - , as raízes desses escândalos estendem-se até os negros tempos do pós-Concílio Vaticano II,  em que, segundo o mesmo Paulo VI, a fumaça de Satanás começava a se fazer sentir fortemente nos ambientes eclesiásticos.

Foi então que, no atrabalhoado afã de adotar tudo o que o mundo lhe oferecia em matéria de teorias e práticas psicológicas e terapêuticas, a maior parte do clero perdeu a noção da importância fundamental da castidade e da mortificação na vida espiritual do cristão. A aceitação de teorias materialistas sobre a psique humana teve como conclusão necessária o repúdio de toda a prática ascética que desde a criação da Igreja por Nosso Salvador Jesus Cristo nela havia imperado.

Esta imbricação entre a prática ascética e uma concepção espiritualista da vida cristão está claramente exposta neste texto do padre Alonso Rodriguez, SJ, cuja Prática da Perfeição Cristã  serviu de guia a muitas gerações de religiosos e leigos católicos nos últimos quatro séculos.


A tradução é de Yours Truly, baseada na versão francesa de Tricalet, a única de que dispomos:

Da necessidade da mortificação: em que ela consiste

Para tratar esta matéria a fundo, é necessário supor em primeiro lugar que há duas partes principais em nossa alma, uma que os teólogos chamam de superior e a outra, de inferior; costumamos compreendê-las sob os nomes de razão e de apetite sensitivo.  Antes do pecado, e no bem-aventurado estado de inocência e de justiça original em que Deus criara o homem, a parte inferior estava perfeitamente submetida à superior; mas tendo em seguida a razão se revoltado contra Deus pelo pecado, o apetite sensitivo também se revoltou contra a razão; de sorte que, a contragosto e contra o consentimento da nossa vontade, se elevam por vezes de nosso apetite sensitivo movimentos e afeições que condenamos, segundo esta palavra do Apóstolo: Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero (Rm. 7, 19).

Cumpre ainda supor outra verdade principal, e que é uma consequência necessária da primeira; a saber, que o desregramento do nosso apetite e a perversidade da inclinação da nossa carne são o que forma o maior obstáculo ao nosso progresso na virtude. É por isso que se costuma dizer que a carne é o nosso maior inimigo, pois de fato é dela que nascem todas as nossas tentações e é ela o princípio ordinário de nossas quedas. De onde vêm as guerras e as contradições que sentis em vós mesmos? pergunta o apóstolo Santiago (Tiago, 4,1) Não é de vossas paixões, que combatem em vossos membros? A sensualidade, a concupiscência e o desregramento do amor próprio são a causa de todas as nossas guerras intestinas, de todos os pecados, de todas as culpas e de todas as imperfeições que cometemos e, por conseguinte, o maior obstáculo que podemos encontrar no caminho da perfeição.

Dado isso, não é difícil entender que a mortificação consiste em reparar as desordens das nossas paixões; ou seja, em reprimir em nós as más inclinações e o desregramento do amor próprio. Escrevendo São Jerônimo sobre estas palavras de Jesus Cristo (Lucas, 9, 23), Se alguém quiser vir atrás de mim, renuncie a si mesmo e carregue a sua cruz e me siga, diz que renuncia a si mesmo e carrega a sua cruz aquele que de impudico que era se torna casto, que de intemperante se torna sóbrio; que de fraco e tímido se torna forte e corajoso: renunciar de verdade a si mesmo é tornar-se totalmente diferente do que antes se era.

O que prova evidentemente a necessidade da mortificação é que o Salvador, segundo a observação de São Basílio, diz primeiro que é preciso renunciar a si mesmo; e que em seguida acrescenta, e me seguir. Ou seja, se não renunciarmos primeiro a nós mesmos; se não nos despojarmos inteiramente de nossa própria vontade; se não mortificarmos as nossas más inclinações, encontraremos mil dificuldades e mil obstáculos que nos impedirão de seguir a Jesus Cristo. Convém, pois, que comecemos nós mesmos a aplainar o caminho por meio da mortificação; e é por isso que Ele a estabeleceu como fundamento, não só da perfeição, mas de toda a vida cristã. É essa a cruz que devemos sempre carregar conosco, se quisermos seguir Jesus Cristo: assim é que devemos sempre carregar a sua morte em nosso corpo (2 Cor 4, 10), para que a pureza da sua vida se mostre também em nosso corpo... A vida do homem na terra (Jó, 7, 1) é uma guerra perpétua... Pois a carne, como diz São Paulo,  tem desejos opostos aos do espírito, e o espíritos os tem contrários aos da carne.


(R.P. Alphonse Rodriguez,  Abrégé de la pratique de la perfection chrétienne, t. II, Lyon, Perisse Frères, 1829, pp. 3-5).

sábado, 20 de novembro de 2010

Lista dos dogmas de fide da Igreja Católica - II Deus Criador


Dando continuidade à postagem da lista de dogmas de fide da Igreja, tais como expostos no Manual do Dr. Ott, aqui vão os dogmas expostos no livro II,  Deus Criador.

1. Tudo o que existe, fora de Deus, foi tirado do nada por Deus.
2. Deus foi levado por Sua bondade a criar livremente o mundo.
3. O mundo foi criado para a glória de Deus.
4. As três pessoas divinas são o princípio único e comum da criação.
5. Deus criou livremente o mundo, sem constrangimento exterior e sem obrigação interna.
6. Deus criou o mundo bom.
7. O mundo tem um começo no tempo.
8. Deus criou sozinho o mundo.
9. Deus conserva na existência todas as coisas criadas.
10. Deus dirige e protege com a Sua providência tudo o que criou.
11. O primeiro homem foi criado por Deus.
12. O homem é composto de dois elementos essenciais, um corpo material e uma alma imortal.
13. A alma razoável é diretamente a forma essencial do corpo.
14. Cada homem possui uma alma individual imortal.
15. Deus deu ao homem um fim sobrenatural.
16. Nossos primeiros pais, antes do pecado original, estavam ornados com a graça santificante.
17. Os primeiros pais estavam dotados do dom de imortalidade, ou seja, da isenção da morte corporal.
18. Nossos primeiros pais, no paraíso terrestre, pecaram gravemente ao transgredirem um mandamento divino.
19. Nossos primeiros pais perderem por seu pecado a graça santificante e atraíram para si a cólera e o descontetamento de Deus.
20. Nossos primeiros pais caíram sob o castigo da morte e a dominação do demônio.
21. O pecado de Adão passou a todos os seus descendentes, em virtude de sua origem, e não como mau exemplo.
22. O pecado original é transmitido pela geração natural.
23. No estado de pecado original, o homem é privado da graça santificante, bem como dos dons preternaturais de integridade.
24. As almas que saem desta vida com o pecado original estão excluídas da visão beatífica de Deus.
25. Deus criou do nada, no começo dos tempos, seres espirituais (os anjos).
26. A natureza dos anjos é espiritual.
27.Os maus anjos (demônios) foram criados bons por Deus; tornaram-se maus por sua própria culpa.
28. A tarefa secundária dos bons anjos é a proteção dos homens e o cuidado da salvação deles.
29. O diabo possui, em razão do pecado de Adão, certo domínio dobre os homens.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A coisa tá ficando preta: Fox News reconhece que pode haver algo de errado na história oficial sobre 11 de setembro

O desmoronamento espontâneo do WTC 7
em NY, 11/9/2001

O programa Geraldo At Large, transmitido pelo canal noticioso americano Fox News, um dos baluartes do neoconservadorismo americano, apresentou há pouco reportagem que implicitamente reconhecia que a versão oficial sobre os acontecimentos do dia 11 de setembro de 2001 tem vários pontos não muito convincentes, para dizer o mínimo.

Dentre eles, o desmoronamento do World Trade Center 7, um enorme arranha-céu de mais de 40 andares, muito maior do que o Edifício Itália, que ruiu sem ter sido sequer arranhado pelos dois jatos. O WTC era sede de diversas empresas ligadas a setores "sensíveis"  do governo americano. Até mesmo em New York, pouca gente sabe desse desmoronamento, para não falar do público "culto" brasileiro, como sempre absolutamente por fora do que acontece. Um grupo de mais de 1000 engenheiros, militares, arquitetos e profissionais da aviação americanos discorda da tal versão oficial e tem desenvolvido uma campanha para que as investigações sejam reabertas, sobretudo no que tange ao WTC7.

E como demonstra essa reportagem, até mesmo a Fox News já está começando a ter lá as suas dúvidas sobre o assunto, depois de passar anos pregando a destruição do Iraque, Irã e outros países islâmicos com base na história oficial. Tá preta a coisa por lá!

Vej a reportagem aqui. (INGLÊS)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Governo de Dilma Roussef banca falcatruas de Sílvio Santos, depois de convidá-lo para a vice-presidência



O escândalo do banco de Sílvio Santos começou com 800 milhões, já está em 2,5 bilhões e subindo. E subindo também, é claro, o dinheiro que nós contribuintes vamos ter de desembolsar para pagar as falcatruas desses bandidos.

Para tentar tapar o sol com a peneira, os asseclas do banqueiro que ocupam cargos no chamado governo "brasileiro" negam que a ajuda ao banco tenha sido feita com dinheiro público, alegando que o FGC é uma entidade de bancos privados. Basta, porém, uma visitinha ao site do Fundo para ver os nomes do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e de outras instituições financeiras públicas na lista de membros. E as contribuições são, é claro, proporcionais, o que faz com que a maioria do dinheiro venha dos maiores bancos: Banco do Basil e Caixa que são - surprise, surprise - públicos.

Aliás, as relações do atual governo com Sílvio Santos são tão íntimas, que Dilma Roussef chegou a convidá-lo para ser seu vice nas eleições passadas, como se pode ver aqui. É claro que agora ninguém tem nada a ver com isso, mas Inês já é morta, meu amigo, e o seu dinheirinho já está - surprise, surprise - no bolso de Sílvio Santos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O conceito de Eternidade na teologia e na filosofia católicas tradicionais



Dürer: O anjo do Apocalipse


Segue abaixo a tradução do artigo da Catholic Encyclopedia sobre a Eternidade, este adorável atributo de Deus, cuja meditação torna mais fácil o cumprimento do Primeiro Mandamento. 

O texto original pode ser encontrado aqui ou aqui.

(aeternum, originalmente aeviternum, aionion, aeon — longo).
A eternidade é definida por Boécio (De Consol. Phil., V, vi) como "a posse sem sucessão e perfeita da vida interminável" (interminabilis vitae tota simul et perfecta possessio). A definição, que foi adotada pelos escolásticos, pelo menos quando se aplica à eternidade propriamente dita, a de Deus, implica quatro coisas: que a eternidade é
  • uma vida,
  • sem começo nem fim,
  • nem sucessão, e
  • do mais perfeito tipo.
Deus não só existe, mas vive. A noção de vida, como todas as noções, por mais abstratas e espirituais que sejam, não é, quando aplicada a Deus, senão analógica. Ele não só não vive exatamente como vive qualquer outro ser com que estamos familiarizados; Ele nem sequer existe como qualquer outra coisa existe. As nossas noções de vida e de existência derivam-se das criaturas, em que a vida implica mudança e a existência é algo adicionado à essência, implicando, assim, composição. Em Deus não pode haver composição ou mudança ou imperfeição de nenhum tipo, mas tudo é puro ato ou ser. Nem por isso, porém, o agnóstico tem razão ao dizer que nada podemos saber e nada devemos predicar de Deus. É verdade que, seja como for que O concebamos ou sejam quais forem os termos com que Dele falemos, as nossas ideias e a nossa terminologia estão completamente aquém Dele e são totalmente indignas Dele. Mesmo, porém, quando assim argumenta, o agnóstico pensa e fala de Deus tanto como nós; nem podem eles ou podemos nós fazer outra coisa, por estarmos obrigados a rastrear as coisas até sua primeira causa. Curvando-nos a esta necessidade, só podemos pensar e falar sobre Ele nos termos mais espirituais e mais elevados que conhecemos; não meramente como existente, por exemplo, mas como vivente; corrigindo ao mesmo tempo, na medida do possível, a forma de nosso pensamento e de nossa predicação, acrescentando que a vida Divina é perfeita, livre de todo vestígio de defeito. Esta é a razão pela qual representamos a existência Divina como uma vida. É uma vida, ademais, não só sem começo nem fim, mas também sem sucessão — tota simul, ou seja, sem passado nem futuro; um instante ou “agora” imutável. Não é tão difícil formar uma noção artificial de uma duração que nunca começou e nunca acabará. Esperamos que a nossa própria vida não tenha fim; e os materialistas nos acostumaram à noção de uma série que se prolonga sem limite para trás no tempo, à noção de um universo material que nunca nasceu, mas sempre existiu. A existência Divina é isso e muito mais; excluindo toda sucessão, todo o tempo passado e futuro – na verdade, todo o tempo, que é sucessão – deve ser concebida como um perpétuo e imutável "presente".
Ao formar esta noção de eternidade cabe pensar na imensidão da imensidade Divina em sua relação com o espaço e as coisas extensas. Podemos conceber primeiro uma linha reta pontilhada — uma linha de pontos separados; em seguida, uma linha contínua dentro de dois limites, começo e fim. A linha pode ser, mas não é, dividida em partes, linhas mais curtas ou pontos, e o todo é finito de ambos os lados. Isso é semelhante mas também dissemelhante de um espírito finito; semelhante, porque não tem partes divisórias atuais e é limitado; mas dissemelhante porque pode ser dividido, enquanto um espírito não pode ser dividido. Os espíritos existem completos e inteiros sempre que existem; e embora possam preencher o espaço ocupado por um corpo humano, por assim dizer, ele está completo e inteiro em cada parte possível dele; não de modo distinto da linha contínua. Se em seguida pensarmos que as extremidades ou limites da linha foram removidos, que o eixo da terra, por exemplo, se estenda indefinidamente pelo espaço, a linha torna-se não só contínua ou não-pontilhada, mas infinita, sem fim ou começo, mas ainda divisível; semelhante, mas também dissemelhante, à imensidão de Deus. Pois Deus é um espírito, e como a alma humana preenche o espaço ocupado pelo corpo a que está unido, mas está inteira e completa em cada possível parte desse espaço, assim também Deus preenche todo espaço, estendendo-se sem limites em todas as direções, e no entanto está completo e inteiro em cada lugar, no menor ponto que se possa conceber, no mesmo sentido aproximado ou impróprio em que podemos pensar ou dizer que Deus esteja “completo”. Mesmo as relações espaciais da alma com o corpo são grosseiras quando comparada às que a existência de Deus mantém com a existência das criaturas e os espaços em que elas existem ou podem existir. Pois por mais carentes de extensão que sejam os espíritos criados, eles não são incapazes de mudança interna real, de algum tipo de movimento real dentro de si mesmos; ao passo que Deus, preenchendo todo espaço, é incapaz da menor mudança ou movimento, mas é tão verdadeiramente o mesmo o tempo todo, que é mais bem concebido como um ponto infinitamente extenso, o mesmo aqui, ali e em todos os lugares.
Se, porém, aplicarmos à linha do tempo o que vimos tentando aplicar à do espaço, o ponto infinito e imutável que é a imensidão torna-se eternidade; não uma sucessão real de atos ou mudanças separadas (o que chamamos "tempo"); nem tampouco a duração contínua de um ser imutável em sua substância, embora possa variar em suas ações (que é o que Santo Tomás entende por aevum); mas uma linha sem fim de existência e ação que não só não é atualmente interrompida, mas é incapaz de interrupção ou da menor mudança ou movimento. E como, se um instante passar e outro sucedê-lo, tornando-se passado o presente e o futuro, presente, há necessariamente uma mudança ou movimento de instantes; assim, se não quisermos ser irreverentes em nosso conceito de Deus, mas representá-Lo da melhor maneira possível, devemos tentar concebê-Lo como algo que exclui toda mudança ou sucessão, mesmo mínima; e sua duração, por conseguinte, como algo sem sequer um passado ou futuro possíveis, mas um “agora” sem começo e sem fim, absolutamente imutável. Assim é apresentada a eternidade na filosofia e na teologia católicas. A noção é de especial interesse por nos ajudar a compreender, ainda que artificialmente, as relações de Deus com as coisas criadas, sobretudo no que se refere à presciência . Nele não há antes ou depois e, portanto, nenhuma presciência, objetivamente falando; a distinção que costumamos traçar entre o Seu conhecimento de inteligência ou ciência ou presciência e Seu conhecimento de visão é meramente a nossa maneira de representar as coisas, muito natural para nós, mas de modo algum objetiva ou real Nele. Não há diferença objetiva entre a Sua inteligência e a Sua visão, nem entre nenhuma destas duas e a Divina substância, em que não há possibilidade de diferença ou mudança.
Essa inteligência substancial infinitamente perfeita, imensa e eterna, além de existir inteira e imutável como um ponto indivisível no espaço e como um instante indivisível no tempo, é coextensiva, no sentido de estar intimamente presente, com o espaço-extensão e com o tempo-sucessão de todas as criaturas; não ao lado delas, nem paralela a elas, nem antes ou depois delas; mas presente em e com elas, sustentando-as, cooperando com elas e, portanto, vendo — não prevendo — o que elas podem fazer em qualquer ponto particular da extensão do espaço ou em qualquer instante da sucessão do tempo em que elas possam existir ou operar. Deus pode ser considerado um ponto imutável no centro de um mundo que, quer como um grupo mais ou menos compacto de indivíduos granulados, quer como uma massa absolutamente contínua de éter, gira ao redor Dele como se pode supor que uma esfera gire em todas as direções ao redor do seu centro (
Santo Tomás, Cont. Gent., I, c. lxvi). A imagem, porém, deve ser corrigida, observando-se que enquanto na linha do tempo a duração de Deus é um ponto ou “agora” perpétuo, sua imensidão na linha do espaço não é de modo algum semelhante ao centro de um círculo ou esfera; mas é antes um ponto coextensivo com, no sentido de estar intimamente presente a, qualquer outro ponto, atual ou possível, na massa contínua ou descontínua que supostamente se mova ao Seu redor.
Sem perder de vista esta noção corretiva, podemos concebê-Lo como esse ponto imutável no centro de um, embora aqui e ali contínuo, circulo ou esfera em perpétuo movimento. As relações de espaço e de tempo estão constantemente mudando entre Ele e as coisas móveis ao Seu redor, não por nenhuma mudança Nele, mas só em razão da constante mudança nelas. Nelas há antes e depois, mas não Nele, Que está igualmente presente a todas elas, seja qual for o modo e o momento em que vieram a ser ou como sucedam umas às outras no tempo e no espaço. Algumas delas são atos livres; e praticamente desde que a mente humana começou a especular sobre estas questões, e em todo lugar onde ainda houver especulações, mesmo rudimentares, se levantou a questão, e ainda se levanta, de como um ato pode ser livre e não acontecer se, como supomos, a presciência absolutamente infalível de Deus viu desde toda a eternidade que ele devia acontecer. A esta questão a filosofia católica dá a única resposta que pode ser dada; que não é verdade dizer que Deus viu ou previu qualquer coisa ou que Ele vai vê-la, mas só que Ele a vê. E como o fato de eu ver você agir não interfere na sua liberdade de ação, mas vejo você agir livre ou necessariamente, conforme o caso, assim Deus vê todas as coisas finitas, quiescentes ou ativas, agindo por necessidade ou livremente, de acordo com o que possa ser objetivamente real, sem com isso interferir minimamente no modo ou na qualidade da existência ou da ação delas. Aqui também, porém, devemos tomar cuidado para não concebermos o conhecimento Divino como algo determinado pelo que o finito pode ser ou fazer; do mesmo modo como vemos as coisas porque o conhecimento chega a nós vindo do que vemos. Não é do infinito que Deus recebe o Seu conhecimento, mas de Sua Divina essência, em que todas as coisas estão representadas ou espelhadas como são, existentes ou meramente possíveis, necessárias ou livres. Sobre este aspecto da questão vide o artigo DEUS. Quando, portanto, alguém pergunta ou esteja tentado a perguntar o que Deus fazia ou onde Ele estava antes de o tempo e o espaço começarem, com a criação do mundo, a resposta deve ser a negação da legitimidade da suposição de que Ele estivesse "antes". É só em relação com o finito e o mutável que pode pode haver um antes e um depois. E quando dizemos que, como ensina a fé, o mundo foi criado no tempo e não existe desde toda a eternidade, o que queremos dizer não deve ser que a existência do Criador se estendesse infinitamente antes de Ele dar o ser ao mundo; mas antes que enquanto a Sua existência em si mesma permanece como um presente imutável, sem possibilidade de antes ou depois, de mudança ou sucessão, a sucessão fora da existência Divina, a cada instante da qual ele corresponde como o centro corresponde a qualquer ponto na circunferência, teve um começo e poderia estender-se indefinidamente mais para trás, sem, porém, escapar à omnipresença do eterno “agora” (Vide Billot, De Deo Uno et Trino, q. 10, p. 122).
Tudo isto se refere à noção de eternidade propriamente dita, que se aplica somente à existência Divina. Há um sentido amplo ou impróprio em que estamos acostumados a representar como eterno o que é meramente infinita sucessão no tempo, e isto mesmo se o tempo em questão tenha tido um começo, como quando chamamos de eterna a recompensa dos bons e a punição dos maus, entendendo por eternidade só o tempo ou a sucessão sem fim ou limite no futuro. No Apocalipse, há um famoso trecho em que um grande anjo é representado com um pé no mar e outro em terra, que jura por Aquele que vive para sempre que não haverá mais tempo. Seja qual for o significado desse juramento, ele encontrou eco em nossa terminologia religiosa, e estamos acostumados a pensar e dizer que com a morte, e sobretudo com o Juízo Final, o tempo cessará. O significado não é que não haverá mais nenhum tipo de sucessão; mas que não haverá mais mudança substancial ou corrupção no que sobreviver à morte, a alma; ou no corpo que se tiver erguido dentre os mortos; ou nos céus e na terra tal como serão renovados depois da segunda vinda de Cristo. Há, ademais, uma implicação ou conotação da doutrina que na vida futura das almas, tanto no céu como no inferno, a sucessão será acidental, sendo o ato em que consistirá sua felicidade ou miséria essenciais uma contínua e ininterrupta visão acompanhada de amor, ou uma visão cega e errônea de Deus, acompanhada de ódio. Este tipo de duração é em nossa linguagem ordinária chamada de vida ou morte eternas, por uma espécie de participação, num sentido amplo ou impróprio, do caráter da eternidade Divina (Billot, op. cit., 119). Foram levantadas questões da mais alta importância quanto à possibilidade de um mundo eterno, no sentido de um mundo de matéria, tal como o conhecemos, que nunca tenha tido um começo e, portanto, não precise de uma causa primeira; também quanto à possibilidade de uma criação eterna, no sentido de um ser, com ou sem sucessão, não ter tido um começo de existência e no entanto ter sido criado por Deus (vide o artigo CRIAÇÃO). Quanto a outras questões relativas à eternidade, vide os artigos CÉU, INFERNO. "Vida eterna" é um termo por vezes aplicado ao estado e à vida na graça, mesmo antes da morte; sendo esta a fase inicial ou semente, por assim dizer, da interminável vida de bem-aventurança no céu, que, por uma espécie de metonímia, é vista como presente neste primeiro estágio, o da graça. Este, se formos verídicos conosco mesmos e com Deus, certamente passará para um segundo estágio, a vida eterna.

(Tradução Yours Truly)

domingo, 14 de novembro de 2010

Lista dos dogmas de fide da Igreja Católica

Sessão inaugural do
Concílio de Trento

É com imensa felicidade que apresento abaixo a tradução dos dogmas católicos de fide enunciados no primeiro livro do Manual de Ludwig Ott.


Os dogmas católicos são o maior título de nobreza intelectual do homem. Por eles participamos da Verdade sobrenatural, cuja Revelação custou o sangue de Jesus Cristo na cruz, o que os torna infinitamente preciosos. Para que chegassem incólumes até nós ao longos do tempo, foi necessária a instituição da Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, e com ela o martírio de milhares de mártires, que defenderam a pureza do dogma com seu sangue.


A lista de hoje abrange os dogmas de fide enunciados na primeira seção do seu Manual. Seguir-se-á proximamente a lista dos dogmas enunciados nos demais capítulos.


  1. Deus, nosso Criador e nosso Mestre, pode ser conhecido com certeza por meio das coisas criadas, pela luz natural da razão.
  2. A existência de Deus não é só objeto de conhecimento da razão natural, mas também objeto de fé sobrenatural.
  3. O Ser de Deus é incompreensível para o homem.
  4. Os Santos do céu possuem um conhecimento direto e intuitivo de Deus.
  5. A visão direta de Deus ultrapassa a potência natural de conhecimento da alma humana, e é portanto sobrenatural.
  6. Para ver a Deus de modo realmente direto, a alma precisa da luz da glória.
  7. O Ser divino é incompreensível também para os santos do céu.
  8. Os atributos divinos são realmente idênticos à essência divina e realmente idênticos entre si.
  9. Deus é absolutamente perfeito.
  10. Deus é realmente infinito em cada perfeição.
  11. Deus é absolutamente simples.
  12. Só há um Deus.
  13. O Deus único é verdadeiro Deus no sentido ontológico.
  14. Deus possui uma inteligência infinita.
  15. Deus é absolutamente verídico.
  16. Deus é absolutamente fiel.
  17. Deus é a bondade ontológica absoluta em Si mesmo e relativamente às criaturas.
  18. Deus é a bondade moral ou santidade absoluta.
  19. Deus é a benignidade absoluta.
  20. Deus é absolutamente imutável.
  21. Deus é eterno.
  22. Deus é imenso.
  23. Deus está presente em toda parte no espaço criado.
  24. A ciência divina é infinita.
  25. Deus conhece toda realidade finita no passado, no presente e no futuro (scientia visionis).
  26. Em sua scientia visionis, Deus prevê também com certeza infalível as ações livres futuras das criaturas razoáveis.
  27. A vontade de Deus é infinita.
  28. Deus se ama a si mesmo necessariamente e as coisas exteriores livremente.
  29. Deus é o Soberano Senhor do céu e da terra.
  30. Deus é infinitamente justo.
  31. Deus é infinitamente misericordioso.
  32. Em Deus há três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada uma das três pessoas possui numericamente a mesma essência divina.
  33. Há em Deus duas processões imanentes.
  34. O sujeito das processões divinas (nos sentidos ativo e passivo) são as pessoas divinas, não a natureza divina.
  35. A Segunda Pessoa divina procede da primeira por geração e tem, por conseguinte, com ela as relações de um filho com seu pai.
  36. O Espírito Santo procede do pai e do Filho como de um princípio único, por uma única expiração.
  37. O Espírito Santo não procede por geração.
  38. As relações em Deus são realmente idênticas com a essência divina.
  39. Em Deus tudo é uno, se não houver uma oposição de relação.
  40. As três pessoas divinas estão uma na outra.
  41. Todas as atividades de Deus no exterior são comuns às três pessoas.

    São estes os dogmas do primeiro livro, A Unidade de Deus; a Santíssima Trindade. Seguem proximamente os demais dogmas

    sábado, 13 de novembro de 2010

    Retiro espiritual do Bem-Aventurado Charles de Foucauld no Saara, 1902


    Resoluções
    do retiro anual de 1902

    Beni-Abbès

    I. Preliminares - Imitar Jesus, fazendo tão profundamente da salvação dos homens a obra da nossa vida, que esta palavra: Jesus, Salvador, exprima perfeitamente o que somos, como significa perfeitamente o que Ele é... Para tanto: "entregar-se totalmente a todos, com um único desejo no coração: dar às almas Jesus!..."

    "Tudo o que fazeis a um destes pequenos, fazei-o a mim... Brilhem vossas boas obras diante dos homens, para que glorifiquem a Deus vosso pai."

    Desejo apaixonado de salvar as almas: tudo fazer e ordenar tudo com este fim: fazer o bem das almas passar antes de tudo, esforçar-nos ao máximo para nos servirmos perfeitamente dos sete grandes meios que Jesus nos dá para convertermos e salvarmos os infiéis: oblações do Santo Sacrifício, presença no Tabernáculo do Santíssimo Sacramento, bondade, oração, penitência, bom exemplo, santificação pessoal - "Tal Pastor, tal povo" - "O bem que a alma faz está na razão direta de seu espírito interior". A santificação dos povos desta região está, pois, em minhas mãos: será salvo se eu me tornar santo.

    "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga..." Entremos pelo caminho estreito: busquemos a cruz para seguirmos nosso Esposo crucificado, para dividirmos Sua cruz e os Seus espinhos: busquemos cruzes e sacrifícios, corramos atrás deles como os mundanos correm atrás dos prazeres. "Se não aceitarmos a nossa cruz, não somos dignos de Jesus".

    "Buscai o reino de Deus e a Sua justiça e o resto vos será dado a mais." - "Não vos preocupeis por vossa vida com o que deveis comer, nem por vosso corpo com o que vestireis. "  - Alegrar-nos muito toda vez que nos faltar alguma coisa...

    Costumar dividir meu tempo de oração em duas partes: durante uma (pelo menos igual á outra), contemplar e, se preciso, meditar; durante a outra, rezar pelos homens, por todos, sem exceção, e por aqueles de que estou especialmente encarregado. Recitar o santo Ofício com atenção extrema; é o ramalhete cotidiano de rosas frescas, símbolo de amor sempre jovem, oferecido cada dia ao Bem-Amado, ao Esposo...

    Fazer com muita, muita frequência a comunhão espiritual, sem outro limite ou medida senão a do meu amor que chama cem mil vezes por dia o Bem-Amado Salvador da minha alma...

    "Quem vos escuta me escuta" - "Aquele que se fizer pequeno como esta criança será o maior no reino dos céus"... Na dúvida, pender sempre para a obediência... Fazer o máximo possível de atos de obediência, não só para estarmos certos de fazer a vontade de Deus, mas também para imitar Jesus submisso em Nazaré, para obedecermos a Jesus que nos ordena fazermo-nos criancinha, para amarmos o máximo possível Jesus no céu, eternamente, tendo ali o melhor lugar reservado aos que se tiverem feito os menores de todos, pela obediência aos outros homens e pela humildade que tal obediência exige...

    Estou na casa de Nazaré, entre Maria e José, apertadinho como um irmãozinho contra o meu Irmão mais velho Jesus, noite e dia presente na santa Hóstia. - Agir para com o próximo como convém neste lugar, nesta companhia, como vejo agir Jesus, que me dá o exemplo... Na Fraternidade, ser sempre humilde, dócil e prestativo como Jesus, Maria e José na santa casa de Nazaré. - Doçura, humildade, abjeção, caridade: servir os outros.

    (Charles de Foucauld,  Écrits spirituels, p. 208-210. Paris, J. de Gigord, 1927.)

    Cruz e moralidade: a gravidade do mal

    Georges Borges

    Mesmo nas religiões monoteístas, com exceção do cristianismo, tende a se empanar a distinção entre o bem e o mal, uma vez que toda a criação tem como autor um só e mesmo Deus, o que impediria uma cisão radical no seio do real. Esse flou  ético é particularmente visível na história do judaísmo rabínico. Com a crucifixão do Verbo, porém, o sangue do Cordeiro vem ressaltar essa separação de um modo que nem o legalismo dos 613 preceitos de Maimônides nem a literalidade do ditado de Alá a Maomé no Corão têm o poder de fazer. Cristo resgata o mundo, mas torna ao mesmo tempo infinita e eterna a distância entre o eleito e o condenado, entre o Céu e o Inferno, entre Deus e a criatura. Tal é a espada que o Evangelho veio trazer: a lâmina afiada e nítida que separa infinitamente do Bem de Deus o Mal do Pecado.Entre um e outro, a Vida do mesmo Deus-Homem. Morrendo na Cruz, mostra Jesus a gravidade infinita do problema do mal.
    (Georges Borges, La Métaphysique Catholique, p. 354).

    sexta-feira, 12 de novembro de 2010

    Grandes best-sellers 4: O abbé de Mangin e as origens da Igreja


    Ah, como eu adoro esses velhos textos católicos, dos bons tempos em que a Igreja não tinha papas na língua e mandava bala na pregação do Evangelho!
    Como neste belo crescendo do abbé de Mangin, publicado pouco antes da revolução francesa:


    Doze pobres Pescadores, idiotas, grosseiros, ignorantes, são todos os seus súditos e todo o seu apoio; ela tem como fundamento da sua doutrina um Jesus crucificado entre dois ladrões, nascido de pais pobres, que prega apenas a humildade e os sofrimentos. Que há de mais simples? Mas também o que há de maior, quando esta mesma Igreja começa a se espalhar por toda a terra, quando a perfeição da Lei nova por ela anunciada vai estabelecer-se em todas as nações por obra da pregação evangélica, e quando o mundo estremece de ponta a ponta pela voz dos que a ensinam? Que há de maior, quando essa Igreja, fundada pela morte do seu Autor, se cimenta todos os dias cada vez mais pelo sangue de tantos milhares de Mártires; quando enfrenta as mais medonhas perseguições, triunfa sobre seus mais poderosos inimigos, derruba a idolatria, destrói os vícios e as paixões e faz os homens abraçarem máximas em tudo opostas a todas as suas inclinações, máximas que os incomodam, que os cativam e que os obrigam a combater continuamente contra si mesmos?


     (Abbé de Mangin, Annonces Dominicales ou Modèles d'Instructions sur les Évangiles, t. IV, Caen, 1781, p. 271-272).

    quinta-feira, 11 de novembro de 2010

    Tudo por dinheiro: Lula, o grande socialista, banca fraudes de Sílvio Santos


    Passar a vida enganando, aviltando e roubando a população brasileira, juntar 2,7 bilhões de reais com todo tipo de fraude e, quando o esquema cai de podre, vem o Lulinha para pagar todas as despesas, com o dinheiro - de quem? de quem? - do mesmo povo de onde ele havia saído in the first place. Isso é que é vida.

    O mais arrepiante é que os dois meliantes são os dois homens mais populares do Brasil. Pensar que um é presidente da República em fim de segundo mandato, com popularidade nas nuvens,  e o outro se quisesse teria sido presidente outras tantas vezes. Só não foi porque não quis. O Sarney bem que fez tudo para convencê-lo a concorrer. As pesquisas davam-lhe ampla vantagem sobre o segundo candidato.

    Assim se dão as mãos no fundo do esgoto o poder político, o poder de manipulação e o poder financeiro em nosso pobre planetinha.

    Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

    Máximas e aforismos de São Francisco de Sales


    Algumas das maravilhosas Máximas ou sentenças de São Francisco de Sales, mal traduzidas por Yours Truly

    Felizes os que nada têm de amáveis, porque podem ter certeza de que o amor que recebem é excelente, pois vem todo de Deus.

    Convém amarmo-nos aqui em baixo na terra como nos amaremos no Céu.

    Quem mais mortifica as inclinações naturais, mais atrai as inspirações sobrenaturais.

    Convém viver neste mundo como se tivéssemos o espírito no Céu e o corpo no túmulo.

    A maior marca que podemos ter neste mundo de estarmos na graça de Deus não é o sentimento que temos do Seu amor, mas a decisão absoluta de jamais consentir nenhum pecado, grande ou pequeno.

    Temos de reconhecer o nosso nada, mas não ficar nisso: pois nunca devemos aniquilar-nos, senão para nos unirmos a Deus que é o nosso tudo.

    Aquele que faz o bem que sabe merece que Deus o ajude a conhecer o que ignora. Somos gigantes no pecar e anões no bem fazer. Somos parecidos com o ar, sempre escuro na ausência do sol.

    Não é humildade reconhecer-se miserável; para tanto, basta a inteligência; mas é humildade querer e desejar ser tido e tratado como tal.

    (Extraído de Saint François de Sales, la Vraie et solide piété, Perisse Frères, 1861, pp 567 a 577)

    terça-feira, 9 de novembro de 2010

    As fraudes de Medjugorje e a adoração em Espírito e Verdade


    Recebi emails de amigos leitores que reclamam da publicação do artigo de E. Michel Jones acerca da farsa de Medjugorje. Sem quererem entrar no mérito da questão, lamentam que eu dê publicidade a um texto que pode trazer divisão entre os católicos e causar escândalo entre os fiéis de menor espírito crítico.

    Em primeiro lugar, me parece loucura querer tratar de assunto de tamanha importância "sem querer entrar no mérito da questão". Num caso como este, o mérito da questão é tudo. O cristão tem obrigação de adorar em espírito e VERDADE. Tudo o que não é verdade não vem de Deus e deve ser absolutamente abolido do culto católico. Para o cristão, a Verdade é Deus, e não há barganha possível quanto a isto.

    Mostra E. Michel Jones em seu livro sobre Medjugorje  - de que o texto postado neste site é o começo - que uma das razões pelas quais as fraudes das aparições alcançaram as formidáveis dimensões a que chegaram foi justamente um conflito entre por um lado os interesses políticos do Vaticano na década de 1980, que via em Medjugorje uma aliada em seu combate contra o governo comunista iugoslavo, e por outro os interesses religiosos da Igreja, que obviamente não pode tolerar a exploração supersticiosa e mal-intencionada do culto mariano. Tentaram contemporizar, o que foi erro gravíssimo, pois em conflitos entre o político e o religioso, este último deve ter SEMPRE a primazia.

    A Verdade não é negociável no cristianismo, e se há pessoas bem-intencionadas que desconhecem o caráter fraudulento das aparições de Medjugorje, convém que nos esforcemos para esclarecê-las e encaminhá-las para o autêntico culto mariano, feito este sim em espírito e verdade. Pois "dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno." (Mt, 5, 37).

    segunda-feira, 8 de novembro de 2010

    Saiu novo volume das obras completas de Cornelio Fabro: Partecipazione e Causalità


    O Progetto Culturale Cornelio Fabro acaba de anunciar a publicação de mais um volume da Obra Completa do grande filósofo tomista italiano: Partecipazione e Causalità. Trata-se do volume XIX da coletânea. O livro versa sobre o ponto central da reflexão fabriana, a noção de participação. Lançamento imperdível para todos os que se interessam pela filosofia tomista. O livro pode ser adquirido aqui.

    domingo, 7 de novembro de 2010

    Ernest Hello: Deus, o Ser e a Palavra


    Ernet Hello (1828-1885)  foi um filósofo e escritor místico francês, cujos textos estão hoje injustamente esquecidos - como quase todos os grandes textos católicos, aliás. Foi muito admirado por Léon Bloy, Huysmans, Julien Green e até por escritores não-católicos, como Henri Michaux.

    Bela reflexão de Ernest Hello acerca do Nome de Deus e da identidade entre o Ser e a Palavra, tal como se revelou em Jesus Cristo, Deus e Verbo de Deus.

    As deslealdades do homem e a lealdade de Jeová

    Jeová: Aquele que É, Aquele que cumpre as promessas: estas duas coisas são sinônimas.

    Cumprir a promessa é a substância do ser. Dar a palavra é empenhar sua substância. Manter a palavra é resgatar sua substância. Faltar com a palavra é renegar sua substância, é desmenti-la, é aniquilá-la.

    Dar a palavra é entregar sua substância entre as mãos de alguém. Manter a palavra é reivindicar seu ser. Faltar com a palavra é o suicídio essencial e radical da substância. E o desprezo, que é a consequência da palavra violada, nada mais é do que a consciência do nada que se exterioriza.

    O desprezo dos outros é, para quem não cumpre a palavra, o espelho em que se reflete a infâmia essencial de sua desonra, pela qual, sendo tocado, o mesmo nada se sente conspurcado.

    (Traduzido por Yours Trully de Ernest Hello, Du néant à Dieu, t. II, Paris, Perrin, 1921, pp. 16 e 17).

    Oração à Santíssima Trindade da Bem-Aventurada Elizabeth da Trindade


    Elisabeth de la Trinitè (1880-1906) foi uma altíssima mística carmelita. Em sua breve vida, compôs diversos escritos espirituais, dentre os quais a oração que abaixo traduzimos:

    Meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a me esquecer completamente de mim mesma para me estabelecer em Vós, imóvel e calma como se a minha alma já estivesse na eternidade! Nada possa perturbar a minha paz, nem me fazer sair de Vós, meu Imutável, mas me leve cada minuto mais adiante na profundidade do vosso Mistério.

    Pacificai a minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada amada e o lugar do vosso repouso; que eu jamais Vos deixe  sozinho, mas lá esteja por inteiro, toda desperta em minha fé, toda adorante, toda entregue à vossa ação criadora.

    Meu Cristo amado, crucificado por amor, eu gostaria de ser uma esposa para o vosso coração, gostaria de Vos cobrir de glória, de Vos amar... até morrer! Mas sinto a minha incapacidade e Vos peço que me cubrais de Vós mesmo, identificai a minha alma com todos os movimentos de vossa Alma,  me submerjais, me invadais, me substituais, para que a minha vida não seja senão uma irradiação de vossa Vida. Vinde em mim como Adorador, como Reparador e como Salvador.

    Verbo eterno, Palavra do meu Deus, quero passar a vida a Vos escutar, quero fazer-me toda dócil ao ensinamento para aprender tudo de Vós ; depois, através de todas as noites, de todos os vácuos, de todas as incapacidades, quero fitar-Vos sempre e permanecer sob vossa grande luz. Meu Astro amado, fascinai-me para que eu não possa mais sair de vosso esplendor.

    Fogo consumidor, Espírito de Amor, sobrevinde a mim para que se faça em minha alma como uma encarnação do Verbo; seja-lhe eu uma humanidade a mais, na qual Ele renove todo o seu Mistério. E Vós, ó Pai, inclinai-vos para a vossa criaturinha, vede nela apenas o Bem-Amado em que pusestes todas as vossas complacências.

    Meus Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidão onde me perco, entrego-me a Vós como presa; sepultai-Vos em mim, para que eu me sepulte em Vós, na espera de ir contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.
    21 de novembro de 1904
    Manuscrito da oração à Trindade

    sábado, 6 de novembro de 2010

    Bento XVI em Santiago de Compostela condena a ferocidade laicista da máfia anticatólica que governa a Espanha


    Durante entrevista concedida a jornalistas a bordo do avião que o levava à Espanha, em viagem de peregrinação a Santiago de Compostela, o papa Bento VI condenou o "laicismo agressivo" do governo espanhol que,  com a aprovação nos últimos anos de todo tipo de porcaria política, como a facilitação do divórcio, do aborto e a legalização do acasalamento de homossexuais,  tem se esforçado ao máximo para despojar o povo espanhol  do tesouro espiritual que séculos e mais séculos de oração e santidade ajudaram a forjar. A ideia é não deixar pedra sobre pedra neste mais belo de todos os bastiões da Igreja que é o catolicismo espanhol.

    O papa comparou o ódio que hoje impera nas camadas dirigentes da Espanha ao que reinou na República espanhola dos anos 30, quando hordas de pobres-diabos fanatizados e  manipulados pelas grandes máfias internacionais queimavam igrejas e assassinavam padres e religiosos aos milhares, com requintes de crueldade. Muitos chegavam a cortar a cabeça dos sacerdotes para fazer delas bolas de futebol em suas peladas. Foi a visão de uma cena dessas que fez a grande Simone Veil desistir de apoiar os republicanos espanhóis e aprofundar o caminho que a levaria ao batismo e à conversão final.

    Segundo o papa, é na Espanha que mais uma vez se trava a grande batalha entre a Fé e o laicismo, algo que se deve à histórica espiritualidade do povo espanhol, que deu ao mundo, com Santo Inácio e os dois grande santos carmelitas, as primícias do catolicismo moderno.

    É claro que as palavras do papa não foram bem recebidas pelos mafiosos de sempre e pela imprensa por eles patrocinada para bestializar o povo espanhol. Bom exemplo disso é o asqueroso jornal anticatólico El Pais, que simplesmente censura todas as manifestações a favor do papa nos comentários de seus mentirosos artigos online. É o de sempre: atacam a Igreja em nome de uma liberdade que são os primeiros a assassinar desde que a situação lhes seja favorável, como aconteceu na Espanha republicana, na Rússia de Lênin e Stalin e ainda acontece na China de hoje.

    Parabéns ao papa pela coragem. Se não fosse ele, quem ousaria e quem poderia fazer chegar a verdade ao povo espanhol em processo de lavagem cerebral?

    Vale a pena também ler no site do Vaticano a bela homilia pronunciada hoje pelo Santo Padre na Basílica de Santiago sobre a essência da Fé apostólica. É por estas e outras que Bento XVI vem se assinalando, para além de seu carisma como Sumo Pontífice e Sucessor de Pedro, também como um dos maiores intelectuais da atualidade, o que o torna também sucessor de Paulo, de Agostinho e de Tomás.

    quinta-feira, 4 de novembro de 2010

    Negatividade e marginalidade no anticristianismo hodierno



    Muito já se falou sobre o caráter negativo da civilização anticristã em que vivemos. Pela primeira vez na história o elã civilizacional tem sinal negativo: a nossa não é uma civilização, é uma anticivilização, que vive da negação do cristianismo. Por isso o único nome que lhe cabe é o de anticristianismo. Só que justamente o seu caráter negativo a impede de aceitar o nome, pois a negação está entranhada até mesmo no reconhecimento que ela tem de si mesma. Daí a sucessão de denominações vazia e meramente temporais que adota para si mesma: modernidade, contemporaneidade ou pós-modernidade.

    Mesmo assim, essa negação é visível em toda a sua história. Ele começa com o Protestantismo, como negação explícita. P protestante protesta, não pode ser compreendido sem aquilo a que se opõe: a Igreja. Este foi o momento de sinceridade do anticristianismo ocidental. Mais tarde, esse primado do negativo chega à sua formulação teórica explícita na dialética hegeliana e na prática revolucionária de Marx, Lênin e Stalin.

    Até aí morreu Neves.

    Mas o que me parece interessante é que tal negatividade implica também  certa marginalidade. A posição central ocupada durante séculos pelo cristianismo, sem rivais dignos de nota, permitiu-lhe tomar para si todas as posições centrais do espaço vital humano. Como uma família que se instala sozinha numa casa, ela escolhe para si os melhores lugares, deixando vagos só os espaços secundários ou marginais do edifício. Foi o que aconteceu com o cristianismo. Tudo o que é essencial para o homem foi absorvido por ele. O que forçou as forças anticristãs a partirem de espaços secundários, deixados desocupados pela Igreja, por supérfluos.

    Isso pode ser percebido em muitas coisas, como o primado do quantitativo, metafisicamente irrelevante, e o rechaço do ontológico. A subordinação do ontológico ao quantitativo não pode ir além de um pensamento claudicante, que, elevado à hegemonia, só pode produzir o desastre civilizacional.

    É o que estamos testemunhando hoje em dia.

    Kurie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

    quarta-feira, 3 de novembro de 2010

    Mysterium imbecillitatis

    Fosse o anticatolicismo fenômeno meramente natural, poderíamos sem mais qualificá-lo de bárbaro, ignorante e grosseiro, tantas são as evidências históricas, filosóficas, culturais, sociais e artísticas da pereminência da Igreja.

    Mas nosso Deus é um Deus oculto, e tudo o que a Ele se refere é mistério, mesmo a monumental estupidez de um Richard Dawkins.

    terça-feira, 2 de novembro de 2010

    Índio quer apito: dos que renegam a Igreja pelos cultos pseudoevangélicos



    Os colonizadores são incorrigíveis. Como os do século XVI compravam as terras e os bens terrenos dos indígenas com espelhinhos e apitos, hoje os mafiosos que pretendem estabelecer a Nova Ordem Mundial sobre as ruínas da Igreja de Cristo compram as almas e  os bens espirituais dos brasileiros com sessões de descarrego, teologias da prosperidade e fogueiras de Israel.

    Se antes roubavam as terras, hoje roubam as almas. Mas índio continua querendo apito.

    São Francisco de Sales - Meditação sobre a morte


    Preparação

    1. Coloca-te na presença de Deus
    2. Pede-lhe a sua graça
    3. Imagina-te doente e moribundo, no leito de morte, sem esperança nenhuma de escapar



    Considerações

    1. Considera a incerteza do dia de tua morte. Ah, minha alma! Sairás um dia deste corpo. Quando? No inverno ou no verão? Na cidade ou no campo? De dia ou de noite? De modo imprevisto ou avisado? Por doença ou acidente? Terás tempo de te confessar ou não? Terás a assistência do teu confessor e pai espiritual ou não? De tudo isso absolutamente nada sabemos. A única coisa certa é que morreremos, e sempre mais cedo do que julgávamos.

    2. Considera que então o mundo acabará no que te diz respeito. Ele não existirá mais para ti, ele virará de cabeça para baixo à tua frente. Sim, pois então os prazeres, as vaidades, as alegrias mundanas, os afetos vãos parecerão como nuvens e fantasmas. Ah, miserável, por que ninharias ofendi ao meu Deus? Verás que abandonamos Deus pelo nada. Ao contrário, a devoção, as boas obras te parecerão tão desejáveis e doces! E por que não segui este belo e gracioso caminho? Então os pecados que pareciam pequenos parecerão grandes como montanhas e a tua devoção, bem pequena.

    3. Considera o longo e langoroso adeus que a tua alma dirá a este baixo mundo. Dirá adeus às riquezas, às vaidades, às vãs companhias, aos prazeres, aos passatempos, aos amigos, aos vizinhos, aos pais, aos filhos, ao marido, à esposa, em suma, a toda criatura e por fim a seu corpo, que ela abandonará pálido, magro, acabado, medonho e infecto.

    4. Considera os trabalhos que terão para erguer o teu corpo e enterrá-lo; e que, feito isso, o mundo quase não pensará mais em ti, como tu quase não pensaste nos outros.Que Deus o tenha, dirão, e acabou-se. Ó morte, como és desdenhada! Como és implacável!

    5. Considera que ao sair do corpo, a alma segue ou para a direita ou para a esquerda. Aonde irá a tua? Que caminho tomará? O mesmo que ela começou a trilhar neste mundo.

    Afeições

    1. Reza a Deus e te lança entre os seus braços. Ai, Senhor, recebei-me em vossa proteção neste dia apavorante! Tornai-me feliz e favorável esta hora, e que todas as outras me sejam tristes e aflitivas.

    2. Despreza o mundo. Como não sei a hora a hora em que terei de deixar-te, ó mundo, não quero apegar-me a ti. Ó meus caros amigos, minhas caras alianças, permitai que não me afeiçoe a vós mais do que por uma amizade santa, que possa durar eternamente; pois por que me unir a vós para depois deixar e romper tal laço?

    Resoluções

    Quero preparar-me para esta hora e tomar os cuidados necessários para fazer felizmente esta passagem. Quero examinar com toda atenção o estado da minha consciência e pôr ordem nestas e naquelas faltas.

    Conclusão

    Agradece a Deus por estas resoluções que Ele vos deu; oferece-as à Sua Majestade. Roga-lhe mais uma vez que Ela torne feliz a tua morte pelo mérito de seu Filho. Implora a ajuda  da Santa Virgem e dos santos. Pater. Ave.


    Faze um ramalhete de mirra.