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sábado, 2 de outubro de 2010

Santo Antônio e a Vida Eterna


Na gloriosa eternidade haverá uma só casa, um só dinheiro (ou seja, uma só propriedade), um só e mesmo modo de viver, mas cada qual terá a sua mansão especial, porque as dignidades são diferentes na mesma eternidade: um é o esplendor do sol, outro o da lua e outro o das estrelas. É o caso, por exemplo, da romã: suas sementes estão todas envolvidas pela mesma casca mas cada uma tem um lugarzinho diferente. Contudo, em tão díspar esplendor a alegria será igual, porque gozarei do teu bem e tu do meu como do teu. Por exemplo: estamos juntos; eu tenho uma rosa na mão; a rosa é minha, porém tu, não menos que eu, gozas da beleza e do perfume dela. Assim será na vida eterna: a minha glória será a tua consolação e exultação e vice-versa. Naquela glória, será tal o esplendor dos corpos, que poderei ver-me no teu rosto e tu poderás ver-te no meu, e isto trará indizível contentamento. Escreve Santo Agostinho: "Qual não será nosso recíproco afeto quando virmos a nós mesmos refletidos na face do outro, como hoje vemos a face do outro".

Naquela luz tudo será evidente, nada estará oculto, nada obscuro. Naquela visão de paz todos os segredos do coração serão reciprocamente claros e por isso todos os justos arderão juntos numa fornalha de caridade. Hoje não nos amamos realmente, porque nos escondemos na sombra, e no segredo do coração nos mantemos divididos uns dos outros, e por isso a caridade míngua e superabunda a malícia.

(In festo Apostolorum Philippi et Iacobi)

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