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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Negros anos 80: Bento XVI, o subsistit e Leonardo Bof



No dia da Padroeira do Brasil, nada mais justo do que uma homenagem a quem tanto fez pela saúde da Igreja no Brasil nos últimos anos.

Refiro-me ao Papa Bento XVI. Numa época de trevas como a nossa, este sapientíssimo papa, muitas vezes herdeiro do triste legado de seus antecessores imediatos, vê-se no fogo cruzado entre tradicionalistas que o acusam de modernismo e de modernosos que o criticam como reacionário. Como se a enorme erudição e o brilho de um dos maiores intelectuais do mundo não bastasse para fazê-lo respeitar, Bento XVI é, como muitos se esquecem, o Vigário de Cristo na terra, o Sucessor de Pedro e o Chefe da Igreja visível, o que devia pelo menos fazer com que seus críticos refletissem duas vezes antes de atacá-lo.

Nos negros anos 80, quando a tenebrosa teologia da libertação imperava soberana e arrogante na maior parte das dioceses do Brasil, não deixando por onde passava pedra sobre pedra do que séculos de trabalho missionário haviam construído com sangue, suor e lágrimas, o então Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé tomou para si o julgamento de um dos mais ridículos e nefastos textos jamais saídos da pena de um teólogo formado em instituições católicas: Igreja, Carisma e Poder, do triste Leonardo Bof.

Vale a pena lembrar aqui como, de uma penada, o então Cardeal calou o tresloucado teólogo e pôs um ponto final na canhestra interpretação dada pelos vândalos da libertação a um ponto sutil do texto conciliar, LG 8, onde se faz referência ao conceito de subsistência, tão central na teologia escolástica, mas, como era de se esperar, totalmente desconhecido de Leonardo Bof, que utilizava alegremente o verbo subsistir como sinônimo de persistir.

Como expressão de nossa gratidão pela coragem e lucidez demonstradas naquela hora trágica da vida da Igreja, aqui vai o trecho em questão da resposta do Cardeal Ratzinger a Leonardo Bof, e por meio deste, a todos os agressores da identidade,  unidade e unicidade da Igreja Católica Apostólica Romana como a Igreja de Cristo:


A ESTRUTURA DA IGREJA

L. Boff coloca-se, segundo as suas próprias palavras, dentro de uma orientação, na qual se afirma « que a igreja como instituição não estava nas cogitações do Jesus histórico, mas que ela surgiu como evolução posterior à ressurreição, particularmente com o processo progressivo de desescatologização » (p. 123). Consequentemente, a hierarquia é para ele « um resultado » da « férrea necessidade de se institucionalizar », « uma mundanização », no « estilo romano e feudal » (p. 71). Daí deriva a necessidade de uma « mutação permanente da Igreja » (p. 109); hoje deve emergir uma « Igreja nova » (p. 107, passim), que será « uma nova encarnação das instituições eclesiais na sociedade, cujo poder será pura função de serviço » (p. 108).
Na lógica destas afirmações explica-se também a sua interpretação acerca das relações entre catolicismo e protestantismo: « Parece-nos que o cristianismo romano (catolicismo) se distingue por afirmar corajosamente a identidade sacramental e o cristianismo protestante por uma afirmação destemida da não-identidade » (p. 132; cf. pp, 126 ss., 140).
Dentro desta visão, ambas as confissões constituiriam mediações incompletas, pertencentes a um processo dialético de afirmação e de negação. Nesta dialética « se mostra o que seja o cristianismo. Que é o cristianismo? Não sabemos. Somente sabemos aquilo que se mostrar no processo histórico » (p. 131).
Para justificar esta concepção relativizante da Igreja — que se encontra na base das críticas radicais dirigidas contra a estrutura hierárquica da Igreja católica — L. Boff apela para a Constituição Lumen Gentium (n. 8) do Concílio Vaticano II. Da famosa expressão do Concílio « Haec Ecclesia (se. única Christi Ecclesia) ... subsistit in Ecclesia catholica », ele extrai uma tese exatamente contrária à significação autêntica do texto conciliar, quando afirma: de fato, « esta (isto é, a única Igreja de Cristo) pode subsistir também em outras Igrejas cristãs » (p. 125). O Concílio tinha, porém, escolhido a palavra « subsistit » exatamente para esclarecer que há uma única « subsistência » da verdadeira Igreja, enquanto fora de sua estrutura visível existem somente « elementa Ecclesiae », que — por serem elementos da mesma Igreja — tendem e conduzem em direção à Igreja católica (LG 8). O Decreto sobre o ecumenismo exprime a mesma doutrina (UR 3-4), que foi novamente reafirmada pela Declaração Mysterium Ecclesiae, n. 1 (AAS LXV [1973], pp. 396-398).
A subversão do significado do texto conciliar sobre a subsistência da Igreja está na base do relativismo eclesiológico de L. Boff, supra delineado, no qual se desenvolve e se explicita um profundo desentendimento daquilo que a fé católica professa a respeito da Igreja de Deus no mundo.

(Extraído do site da Santa Sé).

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