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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Grandes best-sellers 3: Da comunhão indigna

Retrato de freira, início do século XIX

Acatando mais uma vez o clamor popular, aqui vai um trecho de mais um grande best-seller do momento: o Memorial das Virgens Cristãs, de Claude Arvisenet.

Da indigna comunhão


1. Vem a mim, minha filha, e eu te cumularei de bens e de consolos; mas ao vir, prepara a tua alma e prova-te a ti mesma. Sou Deus grande, santo e terrível; tenho horror ao ímpio e à sua impiedade. Julgo e condeno quem indigno se aproxime de minha Mesa, e sobre ele gravo, pela mesma carne e pelo mesmo sangue que ele profana, a maldição da minha omnipotente cólera. Prova-te, pois, antes de comer deste pão, para que não comas do teu julgamento e da tua condenação. Prova-te com cuidado, interroga o teu coração, examina os teus caminhos, e se descobrires em ti vestígio de iniquidade, evita, por impura, ultrapassar as barreira do meu santuário: mas te entregues sob os meus olhos a todos os sentimentos da indignidade mais  confusa; e, por mais dolorosa que te sintas, não te aproximes da minha Mesa sem  antes te lavares no banho da penitência.

2. Sou o teu Rei cheio de doçura, minha filha, e eu te cumulei de tantos favores, e tu ousarias dar-me o beijo da perfídia! Sou teu Deus, minha filha, e me entregarias a Satã, que possui o teu coração! Sou o teu Salvador, e tu de novo me crucificarias! Sou o Santo dos Santos, e tu não te envergonharias de me colocar na tumba infecta de uma consciência criminosa! Ah, minha amiga, minha bem-amada! Para que virias a mim! Não seria melhor não teres nascido?

3. Longe de mim, Senhor, tão monstruoso atentado! Ah! Pregue-se a minha língua ao palato, seque-se a minha mão direita e caia em esquecimento, morra eu mil vezes, mas não me torne culpada de tão grande crime! Mais vale mil vezes que uma criatura tão vil como eu pereça e seja aniquilada, do que calcar eu com desprezo sob os meus pés o meu Criador e o meu Deus! Ó Deus, que sois a bondade mesma, supremo dominador do Céu e da terra, quem seria capaz de tão indignamente vos trair ?

Quem, minha filha? Ah, se fosse um só ou só poucos! Mas, ai de mim, quantos há que assim me traem e me crucificam, não uma vez, mas todos os dias! Todos os dias vejo à minha mesa almas inimigas da minha Cruz, todas repletas de orgulho, de amor-próprio e de vaidade; almas entregues à preguiça, aos prazeres e manchadas de mil outros crimes. Toda essa gente, minha filha, ao me receber sobre uma língua impura e num coração maculado, me calca sob os pés e profana o sangue da minha aliança. Eu poderia, na verdade, livrar-me de suas mãos; poderia lançar meus raios sobre suas cabeças culpadas e aniquilá-los; mas eles pereceriam, e não quero a morte do ímpio. Ah, se se convertessem a mim, fizessem penitência e vivessem santamente!... Geração perversa! Até quando estarei junto a vós? Até quando vossos duros corações serão o joguete do erro e da mentira? Até quando agravareis ainda mais as minhas humilhações e os meus sofrimentos? O que fazeis, fazei-o depressa; mas eu vos declaro que a minha misericórdia será julgamento contra vós; eu jurei em minha cólera: não entrareis no lugar do meu repouso!

(Claude Arvisenet, Mémorial des Vierges Chrétiennes, Lyon, 1836, p. 120-123).

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