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domingo, 10 de outubro de 2010

Gertrud von Le Fort: a Alma e a Igreja

Gertrud von Le Fort em 1898

Só tu buscavas minha alma! Quem há de me censurar por te ser fiel demais?
Minha alma era como criança abandonada no escuro.
Era órfã em todas as mesas da vida e viúva nos braços do bem-amado.
Desprezaram-na meus irmãos e a trataram-na como estrangeira minhas irmãs.
Traíram-na os sábios deste mundo.
Quando tinha sede, davam-lhe veneno, e quando se angustiava, diziam: mas não és nada!
Remeteram-na ao meu coração, como se fosse uma gota de seu sangue.
Remeteram-na à minha inteligência, como se fosse um pensamento.
Era como caça nas florestas dos negros instintos e como pássaro assustado num mundo morto.
Era como alguém que passa a vida a morrer.
Mas tu rezaste por ela e isso a salvou.
Tu te sacrificaste por ela e isso a fez viver.
Tu choraste sobre ela como sobre uma joia, e por isso ela exulta  ao teu nome.
Tu a elevaste como rainha, e por isso ela está aos teus pés.
Quem há de me censurar por te ser fiel demais?

(Gertrude von Le Fort, Hinos à Igreja; tradução Yours Truly)

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