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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Axé evangelizador e arte cristã

Detesto estar sempre voltando ao mesmo assunto, mas não dá para evitar. Não é por estetismo. Sei muito bem que a presença real de Jesus na Eucaristia torna nula qualquer consideração estética  acerca de música, arte e estética. Um concerto gregoriano vale infinitamente infinitas vezes menos do que uma missa válida com corinho do padre Fábio de Melo. Sei bem disso. O problema é bem outro.

Estive olhando um site de músicos católicos ligados à RCC. Lá, os jovens se propõem evangelizar por meio do axé, de "barzinhos de Jesus" e de Cristotecas.. Não quero comentar  a distorção na compreensão do Evangelho que tal "pregação" demonstra. Basta um olhar superficial para perceber que se trata de pobres rapazes que fazem o que podem dentro de suas evidentes limitações. O que me deprime é ver que 1) a RCC estimula esse tipo de coisa e 2) que não apareça ninguém na Igreja para corrigir a situação. Esse pessoal está entregue a si mesmo. Não tem nenhuma noção da inter-relação entre ascese, culto e fé, embora seja este o fulcro da arte cristã.

A arte cristã existe como instrumento ao exercício da fé, é instrumento da fé, para a fé e pela fé. Eu pergunto: que espécie de exercício da fé é esse em que garotas rebolando ao ritmo do axé dizem estar evangelizando só porque incluem a palavra Jesus na letra da música? Se é assim, será evangelizador o filme pornográfico em que os personagens louvam a Virgem Maria nas cenas mais quentes? Ou será sacrilégio e blasfêmia?

Há e sempre houve uma correlação estreita entre a fé e a castidade, que implica a modéstia da arte cristã, auxiliar da fé e portanto também da castidade. E onde foi parar isso tudo nessa música "católica"  das RCC?  Ou vão me dizer que uma dança como o axé não tenha nada a ver com a excitação sexual?

Ao longo da história da Igreja, este assunto já foi examinado ad nauseam, tendo sido repetidas vezes objeto do magistério papal e conciliar. Mas a RCC, é claro, iluminada diretamente pelo "Espírito", não liga a mínima para o Magistério e faz a música que quer, quando quer, como quer. Pio X? Ora Pio X! O negócio é axé evangelizador!

Tudo isso seria doidamente ridículo se não fosse trágico. É a Tradição católica jogada às moscas  em favor de uma imitação servil do que de mais baixo apareceu no universo protestante (o pentecostalismo) e das formas mais vis das cultura popular anticristã, profana e profanada (axé e congêneres).

Depois aparecem os escândalos sexuais dentro da Igreja e ninguém sabe por quê.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

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