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domingo, 31 de outubro de 2010

Atualidade da encíclica Humanae Vitae


Estive relendo a encíclica Humanae Vitae do papa Paulo VI. Talvez nenhum documento papal em toda o curso da história tenha provocado tanta oposição dentro mesmo da Igreja. Considerando-se a data em que foi publicada, o fatídico ano de 1968, no não menos fatídico período pós-Vaticano II, não resta dúvida de que com a encíclica o papa atingiu um nervo. Não é de espantar que os setores ditos "progressistas" da Igreja tenham gritado e esperneado tanto. Hoje, com a revelação dos escândalos sexuais do clero que tiveram seu ponto culminante justamente nessa época do pós-Concílio, sabemos o que andava acontecendo em certos ambientes eclesiais. Mexer com a sexualidade era visto então como o pecado contra o Espírito Santo.

Trata-se de texto de coragem e beleza ímpar, que previu com clarividência os riscos que um afrouxamento da moral conjugal poderiam causar à dignidade e à espiritualidade do homem. O que acabou acontecendo além dos mais sombrios prognósticos, não sem a contribuição velada ou aberta de certos setores ditos católicos.

Que estranho homem foi Paulo VI! O mesmo papa que permitiu e até incentivou espantosos desmandos pós-conciliares foi capaz de redigir páginas tão firmes e tão belas, santas o bastante para levar os mais sérios sedevacantistas a refletir sobre suas posições.

Por ocasião do quadragésimo aniversário da encíclica, Bento VI pronunciou um discurso, que terminou com estas palavras:

O ensinamento expresso na Encíclica Humanae Vitae não é fácil. Contudo, ele está em conformidade com a estrutura fundamental mediante a qual a vida sempre foi transmitida desde a criação do mundo, no respeito da natureza e em conformidade com as suas exigências. A consideração pela vida humana e a salvaguarda da dignidade da pessoa impõem-nos que tentemos tudo para que a todos possa ser comunicada a verdade genuína do amor conjugal responsável na plena adesão à lei no coração de cada pessoa.

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

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