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domingo, 31 de outubro de 2010

As duas missões do Espírito Santo


Ninguém mais misterioso do que o Espírito Santo, Deus Omnipotente e terceira pessoa da Santíssima Trindade. É o Espírito septiforme. O pecado contra Ele não será perdoado.

As marcas sensíveis dessa implacabilidade vemo-las inscritas com letras de fogo na história da Igreja, desde a heresia dos espirituais, passando pelos luteranos, os anabatistas, para desembocar no século XX no festival dos neopentecostais, carismáticos e modernosos do "espírito do concílio", cujos frutos vemos nos noticiários policiais.

Pois o verdadeiro Espírito é um espírito de modéstia, que age no fundo os corações, e não diante das câmaras em ridículos e ocos blablablás dos que ousam comparar-se aos apóstolos ou em mirabolantes heresias que pretendem apagar o que séculos de oração e de sangue dos santos construíram na Igreja, iluminada, esta sim, pelo Espírito vivificante.

Vale a pena ler o que dizia 300 anos atrás sobre a dupla missão do Espírito Santo o sábio padre Avrillon, mínimo, em sua Conduta para para passar santamente as festas e as oitavas de Pentecostes, do Santíssimo Sacramento e da Assunção. Ah, se ele fosse ouvido, quanto mal teria sido evitado na Igreja!

Atentemos primeiro para o fato de que vamos celebrar uma missão visível e uma missão invisível deste adorável Espírito. A primeira ocorreu só uma vez na cidade de Jerusalém, um grande rumor, com muito esplendor, brilho e pompa. A segunda pode reiterar-se todos os dias e em todos os lugares, e se passa no segredo dos nossos corações, com muita calma e silêncio. A primeira fez pregadores, doutores,mestres do mundo e heróis do Evangelho, para estabelecer em toda a terra a religião de Jesus Cristo, para enfrentar os tiranos e os imperadores pagãos, para exterminar a idolatria, para regar com seu sangue o berço do Cristianismo e para estabelecê-lo solidamente, sobre as ruínas do paganismo e da idolatria, em todos os reinos da terra.

Precisava, com efeito, a Igreja nascente de um Espírito de luz, para dissipar as trevas, para iluminá-la e instruí-la; precisava de um coração para animá-la e para levá-la a só amar o que devia amar; precisava de uma cabeça para se guiar com sabedoria em meio a tantos precipícios de que estava rodeada; precisava de olhos para fazê-la palmilhar os caminhos da justiça, da verdade e da inocência; precisava de mão todo-poderosa para ampará-la, porque era fraca e acabava de nascer na cruz de Jesus Cristo expirante; precisava de voz para encorajá-la, de alma para vivificá-la e de chefe infalível para presidir as suas decisões. E o Espírito Santo, em sua descida visível sobre os apóstolos, vai começar a lhe prestar todos estes bons ofícios, e lhos prestará até a consumação dos séculos.

Mas a missão e a descida invisível deste Espírito adorável, à qual vamos prepararmo-nos, e pela qual devemos incessantemente suspirar, faz penitentes e justos, para formar  e edificar a Igreja, e forma santos, para preencher um dia no céu os lugares de que os anjos rebeldes foram expulsos.

(R.P. Jean-Baptiste-Élie Avrillon, Conduite pour Passer Saintemente les Fêtes et Octaves de la Pentecôte, du Saint-Sacrement et de l'Assomption, pp. 3-4)

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