Pesquisar este blog

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

São Geraldo de Aurillac e os bons negócios

São Geraldo de Aurillac (855-909)


Um curioso episódio da vida de São Geraldo de Aurillac (+909) mostra-nos de maneira impressionante a incompatibilidade entre a moral eclesiástica e o espírito de lucro, ou seja, o espírito mascate. Ao voltar o piedoso sacerdote (1) de uma peregrinação a Roma, cruzou em Pavia com mercadores venezianos que o solicitaram a comprar tecidos orientais e especiarias. Ora, ele já havia adquirido em Roma um magnífico pallium, que teve oportunidade de lhes exibir, dizendo-lhes também o preço que pagara por ele. Ao ser cumprimentado pelo bom negócio feito com aquela compra, que, segundo eles, teria saído bem mais cara em Constantinopla, Geraldo, censurando-se por ter frustrado seu vendedor, apressou-se em lhe enviar a diferença, de que não acreditava poder beneficiar-se sem cometer o pecado da avareza.


(Henri Pirenne, Histoire économique et sociale du Moyen Age, PUF, 1969, p. 23. Traduction d'Yours Truly)


(1) No original abbé, o equivalente ao "padre" brasileiro. Pirenne engana-se. São Geraldo de Aurillac, que era conde, nunca deixou de ser leigo. Pensou em ser religioso, mas foi dissuadido disso por Geusberto, bispo de Cahors, que o convenceu de que, graças à sua condição social, poderia ser mais útil como leigo à causa de Deus. Observou sempre, porém, as mais rígidas normas da vida monástica:  silêncio, oração, muito trabalho manual, confissão pública das culpas, auxílio aos doentes e aos peregrinos. (NT)


Grande exemplo de celibato e castidade entre leigos, São Geraldo de Aurillac é o padroeiro dos celibatários e dos condes. E exemplo ainda maior de autêntica vida EVANGÉLICA em tempos de teologias da prosperidade e de bispos Macedos.


São Geraldo de Aurillac, roga por nós!

Nenhum comentário:

Postar um comentário