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domingo, 12 de setembro de 2010

R.Pe. Reginald Garrigou-Lagrange: Deus e a Vontade Infinita



Belo vídeo, com um texto em inglês do grande Reginald Garrigou-Lagrange, talvez o maior teólogo do século XX, acompanhado pelo canto gregoriano. Que dupla!

O texto foi extraído do livro Life Everlasting, que é ele mesmo a tradução do original francês Eternelle Vie et la profondeur de l'âme. Segue abaixo a tradução:

Que dizer, então, do desejo espiritual da vontade? Quanto mais se eleva o conhecimento, mais alto e mais profundo se torna o nosso desejo espiritual.


Só Deus, visto face à face, pode satisfazer nosso imensurável desejo. Daí podermos dizer verdadeiramente que o nosso vontade tem uma profundidade sem medida.


A verdadeira felicidade, que o homem deseja natural e inevitavelmente, não pode ser encontrada em nenhum bem limitado, mas só em Deus.


Quando tentamos encontrar a felicidade no conhecimento de uma ciência ou numa amizade, por mais nobre que ela seja, logo temos de reconhecer que estamos lidando com um bem limitado.


É impossível, na verdade, que o homem encontre a verdadeira felicidade, por ele naturalmente desejada, num bem limitado, pois a sua inteligência logo capta tal limite e com isso concebe um bem maior, e assim sua vontade naturalmente deseja esse bem maior.


Os bens temporais parecem desejáveis quando não os temos; quando, porém, os temos, vemos a pobreza deles, que não pode saciar o nosso desejo e, portanto, produz ilusão, cansaço e, muitas vezes, repugnância.


Com os bens espirituais, acontece o contrário. Não parecem desejáveis àqueles que não os têm e dão preferência aos bens sensíveis. Mas quanto mais os possuímos, mais conhecemos seu valor e mais os amamos.


Pela mesma razão, os bens materiais, como a mesma casa, o mesmo campo, não podem pertencer simultânea e integralmente a muitas pessoas. Os bens espirituais, ao contrário, a mesma verdade, a mesma virtude, podem pertencer simultaneamente a todos.


Existe necessariamente, portanto, um bem infinito que é o único capaz de satisfazer aos nossos anseios. Se não fosse assim, a amplitude universal da nossa vontade seria um absurdo psicológico, algo radicalmente ininteligível, sem razão de ser.


Com isso compreendemos, acima de tudo, que Deus, visto face à face, pode preencher o imenso vazio do nosso coração, que só Ele pode preencher a profundidade da nossa vontade. O nosso coração não pode encontrar um repouso duradouro, senão no amor de Deus.

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