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domingo, 5 de setembro de 2010

Léon Bloy acerca da liberdade

Léon Bloy (1846-1917)

A liberdade, este dom prodigioso, incompreensível, pelo qual nos é dado vencer o Pai, o Filho e o Espírito Santo, matar o Verbo encarnado, apunhalar sete vezes a Imaculada Conceição, agitar com uma só palavra todos os espíritos criados nos céus e nos infernos, reter a Vontade, a Justiça, a Misericórdia, a Piedade de Deus nos Seus Lábios e impedi-las de descer sobre a sua criação; esta inefável liberdade nada mais é do que isto: o respeito que Deus tem por nós.

Tentem por um momento conceber isto: o respeito de Deus! E este respeito é tal, que nunca, desde a lei de graça, Ele falou aos homens com autoridade absoluta, mas, ao contrário, com a timidez, a doçura e eu diria até a obsequiosidade de um pedinte indigente que nenhuma repulsa seria capaz de desanimar. Por um decreto muito misterioso e inconcebível da sua vontade eterna, Deus parece ter-se condenado até o fim dos tempos a não exercer sobre o homem nenhum direito imediato de senhor para servo, nem de rei para súdito. Se nos quiser conquistar, tem de nos seduzir, pois se a Sua Majestade não nos agradar, podemos tirá-la da nossa presença, esbofeteá-la, chicoteá-la e crucificá-la sob os aplausos da mais vil canalha. Ele não se defenderá com Sua potência, mas só com a Sua paciência e com a Sua Beleza.

(Tradução de Yours Truly)

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