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domingo, 22 de agosto de 2010

Tolerância entre muçulmanos e cristãos nas Filipinas: um exemplo para o mundo




ÁSIA/FILIPINAS - Dez anos de diálogo islâmico-cristão, para construir a paz

Da Agência Fides
Zamboanga (Agência Fides) – Há dez anos se encontram em nome do diálogo e da reconciliação, do estudo comum e da partilha, para construir um futuro de paz e fraternidade no sul das Filipinas: é a experiência do "Interfaith Council of Leders" de Zamboanga, que reúne líderes cristãos e muçulmanos do sul das Filipinas, uma área onde vive uma consistente minoria muçulmana, e zona atormentada por conflitos e movimentos rebeldes que há vários anos criam instabilidade, sofrimentos e o deslocamento de civis.
Conforme relatado à Agência Fides, o Conselho de líderes religiosos celebrou nos últimos dias seus dez anos de atividade: foi fundado no ano 2000, graças à obra de sensibilização do movimento para o diálogo Silsilah, por muitos anos ativos na região. O Conselho acolhe hoje líderes católicos, cristãos evangélicos e muçulmanos, que desejam se empenhar no território para promover atividades culturais, sociais e religiosas em favor do diálogo e da paz.
No encontro realizado em Zamboanga, na presença de mais de 200 pessoas convocadas para o 10 º aniversário do fórum, o prof. Randolf David, professor de sociologia na Universidade das Filipinas, salientou a importância e a eficácia do diálogo inter-religioso como um instrumento de mediação e resolução pacífica de conflitos, referindo-se especialmente à realidade de Mindanao, grande ilha do sul das Filipinas, como laboratório de convivência para superar o narcisismo das pequenas diferenças, que muitas vezes criam blocos de oposição.
O padre jesuíta Albert Alejo, antropólogo, explicou a sua experiência como consultor para da “Bishop-Ulama Conference”, e afirmou que "os agentes de paz devem ser inimigos da corrupção", porque, especialmente em Mindanao, muitos fatores que dificultam paz estão relacionados à corrupção.
Para a ocasião, os líderes do Conselho elegeram os dois novos coordenadores: Ismael B. Abubakar Jr (muçulmano) e Santiago Navarro (cristão), que levarão adiante as atividades do Conselho nos próximos anos. (PA) (Agência Fides 19/8/2010)
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Já era hora de se normalizarem as relações entre cristãos e muçulmanos, na medida do possível. Não são cabíveis as agressões gratuitas, como as de grupos pretensamente "evangélicos" especialmente dedicados a tornar mais profundo o fosso que separa as duas religiões. Igualmente indefensável a atitude de certos grupos islâmicos que atacam gratuitamente a fé católica, distribuindo em locais públicos obras e panfletos ofensivos e completamente desinformados sobre a Igreja de Cristo. É o caso do lamentável "Jesus, um profeta do Islão", editado em Portugal, um festival de besteiras acerca da história do cristianismo. Seria cômico se não fosse trágico.
Sabemos que a ignorância sobre o Islã é também grande entre muitos cristãos. Um maior intercâmbio cultural entre as partes certamente permitiria que essa ignorância fosse reduzida, abrindo espaço para a convivência pacífica de todos. Cabe às duas partes estimular este gênero de comunicação, dentro do respeito mútuo.
Para o cristão, há hoje muito o que admirar nos muçulmanos autênticos. A coragem na fé é a principal delas. Não me refiro, é claro, ao terrorismo, tantas vezes denunciado pelas autoridades religiosas do Islã como contrário ao espírito de sua própria religião. Refiro-me, sim, à tenacidade e à força interior que permite a grandes populações enfrentarem as adversidades em momentos particularmente tenebrosos da história de certas regiões do mundo.
Ambas as partes sabem que as divergências de doutrina são irreconciliáveis entre as duas religiões. Mas já é tempo de chegarmos a um modo de convivência pacífica, num autêntico espírito de tolerância. Algo que já São Francisco de Assis provou ser possível.
 Isto é especialmente válido em tempos em que tanto o Islã quanto a Igreja enfrentam em muitas coisas adversários comuns, como a podridão moral reinante em populações pagãs de regiões que algumas décadas atrás ainda eram cristãs.
Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.




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