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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pe. Crasset: Da maneira de dizer e ouvir a Missa



A maneira como o Sacerdote deve comportar-se durante o sacrifício da Missa, segundo o excelente jesuíta francês do século XVII. Texto extraído de Entretiens de devotion sur le S. Sacrement de l'autel. Desconfio que este não seja o livro de cabeceira de muitos padres, hoje em dia, como era nos séculos XVII e XVIII.

I. Como não há Culto sobre a terra que preste mais honra a Deus do que o Santo sacrifício da Missa, devemos considerar esta ação a mais importante da nossa vida e executá-la com toda a perfeição que nos seja possível.
Se o Sacerdote conhecer a sua condição e a grandeza do seu ministério, jamais se aproximará dos Altares senão com um santo horror e dele só sairá com um reconhecimento infinito.
O Sacerdote no Altar é o Mediador de Deus e dos homens: é o Agente da natureza humana e o Deputado da Igreja, escolhido dentre todo o Seu corpo para tratar com Deus em nome de todas as criaturas; para Lhe prestar da parte delas submissão e homenagem, para adorar Sua grandeza, para agradecer-Lhe os favores; para aplacar Sua justiça e para obter graça a todos os pecadores. Enfim, para Lhe pedir as necessidades corporais e espirituais de todos os homens.
Os que ouvem a Missa devem persuadir-se de que há dois Sacerdotes no Altar, um visível e outro invisível, um que é o principal, o outro que é subordinado; um que é Deus e homem, outro que é puro homem. Ou melhor, devem crer que há só um Sacerdote no comando, que é JESUS CRISTO, o qual Se imola a Si mesmo e Se sacrifica pelas mãos do seu ministro. Pois Ele está nesses divinos ministros, o Sacerdote e a vítima; Ele sacrifica e é sacrificado.
Como o instrumento deve ter o mesmo fim que a causa principal e o Embaixador representa a pessoa do seu Mestre, sendo o Sacerdote o Agente de toda a natureza, escolhido por autoridade pública, para reconhecer a grandeza Soberana de Deus por Suas humilhações, por Suas degradações, por Sua morte e por um total aniquilamento de Si mesmo, não deve subir ao Altar senão para se sacrificar com JESUS CRISTO, e se faltar a este dever, trairá as intenções da Igreja e de toda a natureza humana, que o escolheu para isso e deverá ser punido como um prevaricador infiel.
Com efeito, num perfeito Sacrifício,  aquele que desempenha o ofício de Sacerdote deve ser também a Vítima, porque representa o corpo da Igreja, que pretende por esse ato aniquilar-se a si mesma diante do seu Soberano e se destruir com a Vítima que a substitui. Por isso o Sacerdote deve imolar-se a si mesmo, na qualidade de Chefe da república humana, e afirmar com sua destruição que só Deus é o princípio e o fim de todos os seres.
É verdade que só o Filho de Deus pode, propriamente dizendo, ser o Sacerdote e a Vítima e possuir soberanamente essas duas qualidade. Todavia, como o homem que é ordenado pela Igreja é uma mesma coisa com JESUS CRISTO e compõe uma pessoa moral com Ele, se o Sacerdote não for também vítima, podemos dizer que faltará algo à perfeição do seu Sacrifício.
Cumpre, pois, que ao ir ao Altar, ele não mais se considere um homem, mas JESUS CRISTO, que vai falar por sua boca e se imolar por suas mãos. Em seguida, não deve fazer nenhuma ação com o corpo da qual não possamos dizer: eis aí uma ação de JESUS CRISTO. Deve ater-se exatamente a todas as rubricas. Em suma, deve celebrar de maneira tão grave, tão modesta, tão devota, tão respeitosa, que Deus seja honrado, a assistência edificada, JESUS CRISTO reconhecido na pessoa e na modéstia de seu ministro. (segue)

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