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sábado, 28 de agosto de 2010

Padre Crasset sobre a relação entre a alma e o corpo

Jean Crasset, SJ (1618-1692)

Jean Crasset não é exatamente um best seller hoje em dia. Mas o foi nos séculos XVII e XVIII, quando suas numerosas obras de espiritualidade eram lidas com avidez nos conventos e mosteiros de toda a Europa.
Era também grande estilista.
Ninguém melhor do que ele para nos permitir adquirir uma pura perspectiva cristã sobre as coisas, longe da barbárie pagã de hoje em dia. 
Em tempos de devassidão no próprio clero, vale a pena reler o que tinha a dizer a velha Igreja sobre o ascetismo e a mortificação. Afinal, vivemos tempos de penitência, chamados pelo Papa Bento XVI.
Tradução de Yours Truly.


Para a Quarta-feira de Cinzas

Consideração sobre a penitência externa e sobre a mortificação do corpo

Nada há de mais unido e de menos unido do que a alma e o corpo. Quando um avança, o outro recua; quando um se eleva, o outro se rebaixa; quando um tem saúde, o outro adoece; quando um está forte, o outro está fraco. Para fortalecer, portanto, a alma, cumpre debilitar o corpo.

Não sou homem se obedeço às minhas paixões. Não sou Cristão se não combato as minhas paixões. Não sou penitente, se não mortifico as minhas paixões. Porque o meu corpo é maculado pelo pecado, deve ser purificado pelo sofrer; e porque participará dos prazeres da alma, deve participar de suas dores.

Sei eu se os meus pecados me são perdoados? Sei eu se a pena me será indultada? Sei eu se Deus não me punirá no corpo? Sei eu se não me castigará na alma? Sei eu se não me tratará com mais frieza e se não me deixará cair num grande pecado? Sei eu se tornarei a me erguer quando tiver caído?

Se me poupo, Deus não me poupará. Se me puno, Deus não me punirá. Se me odeio, Deus não me odiará. Se me amo, Deus não me amará. Se nada me perdoo, Deus tudo me perdoará. Se tudo me perdoo, Deus nada me perdoará. Se eu for condescendente comigo mesmo, Deus será severo; se eu for severo comigo mesmo, Deus será condescendente.

Ó alma cristã, faz de teu corpo vítima viva e moribunda; mortifica as tuas paixões, os teus sentidos e os teus desejos, mortifica-te todo o tempo; mortifica-te em todo lugar; mortifica-te fortemente; mortifica-te discretamente.  

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