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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Da maneira de conversar com Nosso Senhor depois de tê-lo recebido, ou da manducação espiritual da eucaristia


Trata-se do capítulo II da primeira parte do livro La dévotion à Notre Seigneur Jésus-Christ dans l'Eucharistie, do padre Vaubert, SJ (1835).  Chama-se Traité de la Communion ou Conduite pour Communier Saintement (Tratado da comunhão ou conduta para comungar santamente). É leitura espiritualíssima, que serve de contraveneno até mesmo à audição de qualquer CD Gospel. O padre Vaubert descreve em quase mil páginas a devoção ao Santíssimo Sacramento, tal como é venerado na liturgia tridentina ou católica. Tradução de Yours Truly.

1. O tempo mais precioso da vida é com certeza aquele durante o qual, depois de termos recebido a santa hóstia, temos conosco o Salvador. Que mudança de vida não veríamos nos cristãos, se soubéssemos aproveitar-nos da Sua presença e das disposições do Seu coração em relação a nós, quando desce nos nossos? Cria Santa Teresa que a nossa negligência em aproveitar-nos desse felizes momentos era a causa mais comum do pouco fruto que tiramos deste sacramento. Aprendamos, pois, a bem empregá-los.

2. Quando recebemos a eucaristia, devemos comê-la espiritualmente, ou seja, é preciso conversar com Nosso Senhor e praticar atos das principais virtudes. Conversamos com os homens pela palavra e pelo som da voz, fazemo-los compreenderem com isso os pensamentos do nosso espírito e as afeições do nosso coração. Mas Deus, além de ver o fundo das nossas almas e de nelas descobrir os movimentos mais secretos, exige em particular o culto do coração. Assim, a mais excelente maneira de com ele conversarmos consiste nos atos interiores. Não que não o possamos fazer com a língua, contanto que o coração lhe dite o que ela pronuncia e a faça falar. Às vezes acontece, até, quando nos sentimos um pouco distraídos e um poucos mornos, que a recitação de certas palavras vivas e ardentes, tiradas ou da Escritura ou dos livros dos santos, chame de volta a nossa atenção e ajude os nossos corações a formar os atos de que são a expressão. Outras vezes, a alma está tão ardente, que, não podendo conter todo o fervor que sente, explode em suspiros e em palavras de fogo e de amor. Assim, a palavra é ora um meio de conversar interiormente com Nosso Senhor, ora um efeito do diálogo interior que temos com ele.

3. Mas seja como for que o façamos, devemos lembrar-nos de que, num diálogo, falamos e escutamos; e que, se é necessário declarar a Nosso Senhor os nossos sentimentos, não o é menos ouvir os ensinamentos e as ordens que Ele nos queira dar.
Dizia outrora Deus a Moisés: Fala à pedra e ela te dará água: Loquimini ad petram... et illa dabit aquas. Segundo São Paulo, essa pedra é Jesus Cristo, fala com  ele e verás correr em abundância as águas da Sua graça. Mas diz analogamente à alma fiel, pela boca de Davi: Escuta, minha filha, presta atenção e considera com atenção o que te digo: Audi, filia, et vide, et inclina aurem tuam. Se a esposa do cântico fala ao esposo, também escuta o esposo quando ele fala. Vou traçar e ordenar alguns ensaios dos atos que podemos praticar para conversarmos com Nosso Senhor. Mas para Lhe darmos tempo de falar, se Ele nos quiser dar esta honra, será bom, ao fim de cada um desses atos, permanecermos alguns momentos em silêncio.
(segue)

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