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domingo, 1 de agosto de 2010

A bússola e o ímã: sobre a interpretação do Vaticano II



No fim de agosto, vários eclesiásticos, ex-alunos do professor Joseph Ratzinger, se reunirão em Castel Gandolfo para debruçar-se sobre a hermenêutica do Concílio Vaticano II, ou seja, sobre a interpretação que deva ser dada aos textos do concílio. Março passado, as conferências de Quaresma em Notre-Dame de Paris apresentavam o Vaticano II como «uma bússola para o nosso tempo». Daí esta pergunta ingênua: podemos interpretar a direção indicada pela bússola? Se ela aponta o norte, como toda boa bússola, de que comentário precisará ? Ela fornece uma informação precisa, que deve encerrar toda discussão: este é o norte, e todo o resto é supérfluo!
Donde esta outra pergunta ingênua: por que há cerca de 50 anos o Concílio Vaticano II vem sendo o objeto de tantas leituras e releituras divergentes, ou até contraditórias? Fala-se de descontinuidade e de ruptura, de renovação na continuidade e de continuidade na mudança… Chocam-se as opiniões e as mentes parecem desnorteadas!
Uma resposta nos é dada pelo fato de que a agulha da bússola não indica o norte quando sofre uma atração alheia: um ímã pode fazê-la desviar e até enlouquecer. O Concílio Vaticano II, ao querer abrir-se ao espírito do mundo moderno, colocou-se sob uma força de atração estranha à Igreja. Para reencontrar o norte, seria preciso livrar-se da influência de tal ímã. E para isso não há necessidade de hermenêutica, basta São Paulo, que dizia sem rodeios : «Não vos conformeis ao mundo presente» (Rm. 12,2).

[O texto acima foi traduzido por este vosso servo e extraído integralmente de DICI.]

Comentário:

Em certo sentido, o Concílio Vaticano II foi um experimento, em que a Igreja tentou consertar certas distorções históricas graves. É o caso, por exemplo, do Ecumenismo. Não resta dúvida de que o enfraquecimento do Cristianismo a partir do século XVIII só foi possível graças ao enorme escândalo das lutas e guerras fratricidas entre aqueles que se denominavam discípulos de Cristo. A Igreja jogou todas as fichas e se esforçou ao máximo para abrir caminho para uma reconciliação e para a restauração daquela unidade desejada por Cristo. Foi "all in", arriscando até sua própria identidade, até a heresia, tudo em nome da paz. Foi um gesto nobre, não há como negar.

Como sabemos hoje, os resultados foram magérrimos. A proliferação de seitas evangélicas cuja única razão de ser é atacar a Igreja de Cristo não dá margem a dúvidas quanto a isto.


Se a justificativa do Concílio, exclusivamente pastoral, era um aggiornamento em relação aos sinais dos tempos, não resta dúvida de que a leitura desses sinais é hoje inequívoca: acabou-se o tempo do Concílio. 


Chegou a hora de sacudir a poeira das sandálias, retomar a Tradição e seguir o caminho que vem sendo palmilhado há 2000 anos, por mais sofrido que ele possa parecer.

Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

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